Formada em 1985, a banda inglesa Radiohead, com estilo rock alternativo, integrada por Tom York, Jonny Greemwood, Ed O’Brian, Colin Greenwood e Phil Selway, lançou até hoje 9 álbuns (ultimo lançado em 2016, intitulado de A Moon Shaped Pool), e alcançou uma legião de fãs no mundo inteiro.

 

Gostaria de falar sobre todas as músicas que conheço dessa banda, mas isso levaria mais tempo do que dispomos, por isso escolhi uma música que acho especial, que toca minha alma e causa em mim um sentimento inexplicável de desespero (sim! desespero), ela se chama Fake Plastic Trees (Falsas Arvores de Plástico), foi lançada em 1995 no álbum The Bends.

 

Antes de tudo, é importante lembrarmos que Fake Plastic Trees foi, para muitos brasileiros, o primeiro contato com a banda Radiohead, pois foi apresentada numa campanha publicitária voltada a Síndrome de Down nos anos 90 – até então a banda era desconhecida para países de 3° mundo. Para escrever essa canção, Tom York inspirou-se em Canary Wharf, área industrial de Londres, que foi toda enfeitada com plantas de plástico.

 

A música começa falando sobre uma mulher que compra um regador verde, para cuidar de uma falsa planta chinesa de borracha, na terra artificial de plástico. Mas por que uma pessoa perderia seu tempo cuidando de uma planta de borracha? A resposta é dada em seguida, ela quer se livrar de si mesma. Sabe, é impressionante como essa música lançada há 22 anos consegue descrever tão bem nossos dias atuais: um mundo altamente superficial, formado por uma sociedade predominantemente rasa, vivendo uma realidade fictícia, com sentimentos e relacionamentos facilmente descartáveis, numa tentativa louca de fugir, a qualquer custo, daquilo que realmente são.

 

Outro personagem surge no desenvolver da música. A mulher mencionada mora com um homem quebrado, feito de poliéster, homem este altamente inflamável, que costumava fazer cirurgias plásticas, cirurgias estas que sempre eram vencidas pela gravidade. Gravidade, lei que rege tudo que tem massa. É o que nos puxa, numa velocidade de 9,8m/s² para o mundo real, mantendo nossos pés firmes no chão, por mais que nossas cabeças estejam nas nuvens. É o que mantem os corpos celestes em interação, numa regência harmônica do universo.

A letra traz a tona outro fator muito importante: o desgaste. Tanto a mulher quanto o homem se sentem desgastados. Desgaste causado pelo esforço de viver uma vida carregada de mascaras, se importando com coisas irrelevantes. Desgaste por lutar contra a gravidade e tentar esconder aquilo que, mais cedo ou mais tarde, o tempo irá revelar.

 

A descrição do mundo, através da música, é um tanto chocante. Um soco na boca do estomago mais forte do que qualquer um pode suportar. Não sei como você reage a todas essas informações por trás da letra, mas essa música é um despertar de forma abruta, um abrir de olhos capaz de trazer as pessoas de volta à vida tangível.

 

Uma alusão de como estamos caminhando a passos largos para nosso próprio fim – um mundo consumista que produz e despeja na natureza toneladas de lixo (plásticos) todos os anos, com pessoas que refletem internamente esse ciclo vicioso, que se matam aos poucos nesse processo de construir suas vidas sintéticas, alicerçadas no lixo da futilidade humana. A nós, despertos, o que nos resta fazer? E se apenas nos virássemos e corrêssemos? Adiantaria?

 

O autor conclui a música com um sentimento de desgaste similar aos dos personagens. Só que o motivo do seu cansaço é diferente. Ele está corroído por amar alguém que parece real, que tem sabor real, mas que no fundo só existe de forma descartável e vazia, ele demonstra certo desapontamento por não conseguir enquadrar seu dinamismo naquilo que esse tipo de pessoa (superficial) tanto procura – um ser igualmente artificial.

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“Acredito nas palavras, como alguém que acredita em milagres. Elas me salvaram por mais de uma vez, e eu, com coração grato, irei anuncia-las com todo meu amor.”

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