Ela é um ser sonhador.

Mas, de mergulhos profundos na realidade. Por vezes, sufoca-se. Outras vezes, silêncio. Por vezes uma pluma. Outras, toneladas.

Se pedir por gestos de humanidade, ela implica. Implora. Explora. Retorna. Vira uma metralhadora cheia de mágoas. E ei ela mandou recado, guri! Tu é só mais um cara.

E já saiba que o seu peito é furado, feita cortina velha que perpassa tantas asneiras. A couraça a prova de balas e decepções já é tão artigo velho dela, que não há mais gambiarra que sirva como medida paliativa.

Ela se tornou as suas Clarices e as suas mães. Postiças. Sociais. De sangue.

E ei, guri tu não é filho de uma puta, porque putas são as MULHERES mais dignas do que você. Que mata! Que sangra. Que humilha. Que estupra. Que fere o peito dela. Profana seu corpo. E a impede de ter poder sobre ele.

Ei, guri que tira e rouba o seu dinheiro, sua terra, sua favela, sua “mulata” e vende seus filhos. Caem os pretos, os negros e aos matas leões. Ela clama Justiça, passeias por sonhos Constituição, todos ferem teu livro e acreditam no futuro da nação.

Deus acima. Deus ao lado.

E onde estava o seu deus quando ela ( duas mulheres em Porto Nacional), foram estupradas?.

Ei, guri, teu nome é o ESTADO. E ela vai manchar o teu nome. Te humilhar. Desgraçar tuas cabeças. Até que aprendas a mudar realidades e futuros e não destruí-los.

E ELAS são muitas.

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.