Overdose Poética

70 x 6 vezes

O que eu poderia fazer se eu já perdoei os teus erros 70 x 7 vezes  e continuaria te perdoando algumas vezes mais? É, eu me apaixonei pelos teus erros. E você sempre me dizia que havia se apaixonada por tudo que há em mim. Mas eu não julgo de toda uma máxima verdade, meus erros não eram tão elegantes como os teus! Se fossem, de alguma maneira, por mero clichê, você teria ficado. 70 x 7 vezes e não teria fugido para estes braços brancos e vividos que te abraçam hoje.

As nossas músicas são sempre telas ilusórias que definem relacionamentos num eterno jazz. Vida boemia, boteco fodido, um trago no cigarro alheio, um copo de cerveja e uma marca de batom no cristal. 70 x 7 vezes mãos que nos apoiam e a gente desejando que um par nos acaricie o rosto, sorria por nossa bebedeira desproporcional e queira nos levar para casa. Ou, em vez disto, para o banheiro do bar, no escondidinho do cinema próprio, se esvaziar. Tuas histórias tão desgraçadas, me ferem a mente e minhas conversas sempre tem uma fração daquilo que tu deixou.

n370 x 7 vezes textos doidos e doídos que para você eu já escrevi. Pra quê? E se quando eu escrevo tu foges? Uma boca desenha um prazer, uma mão desenha-se num vidro embaçado, dois corpos nus dentro de um carro parado na esquina de algum pensamento, e a noite chega sorrateiramente devagar, num assalto do meu tempo perdido com sua TV ligada em algum filme que agora eu não posso ver. Foges da vergonha de assumir que tudo o que mais queria era que eu não tivesse tantas coisas que detestas em mim, por que 70 x 7 vezes tentantes ficar e 70 x 7 vezes não desistiu de mim. Minto. 70 x 6 vezes.

Se em toda essa modernidade em que nos alojamos imperfeitos e as saudades não se encurtam, o que é que eu posso fazer?  Aceitar e esperar que 70 x 7 vezes que o tempo passe.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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