Crônicas

”Saudade sim, tristeza não”

A vida é muito, muito, muito, mesmo inusitada. O amor uma complexidade bonita. Que envolve o peito nessa coisa que atrai gente de áurea completamente linda para o cotidiano da gente.


Eu ganho pessoas. Pessoas me ganham. Simplesmente entro na trama de vidas que não se submetem aos sofrimentos mas se aproximam de mim através de suas dores.


Perdi meu pai faz alguns anos. E isso me mudou para sempre. Foram poucas às vezes que me senti destruída na vida. A gente nunca está preparado para lidar com as finitudes de nossa vivência. Mas nesta minha desestrutura eu via uma força emanar, um impulso para crescer. Cresci na marra. Na força bruta. Eu tinha que ser a forte e não demonstrar minhas fraquezas. E no escuro tentava sempre me curar sozinha de todo aquele sofrimento causado pela perda do meu pai. Sempre fui muito egoísta com os meus sentimentos negativos, e nunca os quis compartilha-los. Talvez, por sempre desejar um mundo melhor não me deixava ser o meu pior. Não aos outros olhos. E fui criando isso de me por no lugar sozinha e deu muito certo.


E no meu egoísmo em prol de boas causas, fui aceitando a minha pior perda. Fui colocando em prática a frase que ouvia no rádio na casa da minha avó, no programa do padre Marcelo Rossi: ”saudade sim, tristeza não”. E fui deixando a ferida cicatrizar da maneira dela.

Na simplicidade de atos de bravura e honra defendia a memória do meu pai. Um homem sem igual que me fez ser uma mulher que ama muito o mundo das palavras, das artes. Que me fez colocar a família em primeiro lugar. Me fez entender que o trabalho é a dignidade do homem. Meu pai me deu sabedorias lindas. Me fez querer mais. Ele me deixou muita coisa de si e isso ameniza a dor de sua partida. Sinto a sua falta. E penso que seria diferente se estivesse aqui. Mas como não sou negativa acredito que estou aqui escrevendo justamente porque ele se foi.


Sigo nessa longa estrada da vida com os traços mais bonitos que ele me deixou. Sigo, entendendo que a dor te aproxima de seus semelhantes e que o julgar humano mata. E é vida que desejo doar.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

Um comentário

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    Harry Suhr

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