Cartas

Enquanto você beija bocas por ai

Nem é mágoa ou alguma desavença ordinária e algo do tipo. Eu só estava errada com uns óculos que não tenho mais, e andei errante e você não precisa me perdoar.

Nem eu sei bem o que há. Mas há. Talvez, uma incerteza certeira de que eu sou um faro de afago calado e destemido morto. Fúnebre. E cadê os meus sonhos? Às vezes ser adulta é deixar morrer os sonhos mais bonitos.

Por isso leia ao som de:

“Amar é pra se corrigir e não perder a paz”.

E tenho pensado nisso da gente se ter, se ver, se amar e dividir. Fé boba. Como eu. Penso em como isso só é possível em um livro poético do meu universo caótico e irreal. Nada nesse amor é real. E, portanto se veste de obscuridade.

Eu sou a sua maior esperança na inverdade de sentir alguma coisa que ainda mexa com seu mundo cinza, enquanto você beija bocas por ai que não te dão imersão em algum colorido?

É dolorido, cruel. Mas é o meu ponto de vista. Não é mais meu, porque já é meio teu. Um teu que nem existe. Porque você é maduro e acredita em infinitas infinitudes. E eu, pobre de mim, que sou transpassada de coisas que você não pode mais acreditar. “Eu acredito em fadas, acredito”…
Eu acredito em nós, acredito…

Deve ser carência. Dou de ombros e não te dou. Ahhhh… Como eu queria e quero aproveitar o resto dessa vida com você. Meras expectativas que quase nunca se concretizam.

Sei de mais nada não. Talvez, nem seja mais meu destinatário. E eu sou muito louca e só digo com um riso meio estranho de me encontrar sabendo que nada do que penso e digo são coerentes.

Tu tens todas as minhas rementências, moço. Aqui ainda há os teus padrões preestabelecidos.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.