Em um dos cantos de minha casa encontrei uma carta. As palavras escritas ali me estremeceram. Dizia assim:

“Hoje eu posso ouvir o cantarolar dos pássaros, sem que a tristeza me atrapalhe. Hoje o meu pescoço não possui marcas, tenho o meu travesseiro e um lindo jardim”.

Aquelas palavras foram tão fortes que solucei, tomei um copo de água! Continuei…

“Você me humilhou de tal maneira, que nem o meu nome sabia mais. Você me feriu sutilmente com aquela agulha fina e quente, perfurando os cantos de minhas unhas lentamente. Sabe? Aquele cantinho que ninguém vê, depois de três ou quatros camadas de esmalte?

Sobrevivi, na verdade me livrei. Livrei-me da sua cara, de seu cheiro, me livrei de seus gritos dizendo que “não posso”, que “jamais conseguiria”, até ao meu útero tu dissestes “que era uma árvore podre”. Mas, hoje tenho uma filha da alma. ”

Meus olhos marejavam ao percorrer cada palavra daquela folha.

“Talvez eu não consiga remendar os meus pedaços de uma só vez e pode levar dias ou anos. E nesta vida ou na outra, não importa eu tento outra vez. Para sua casa eu não volto. Os teus braços de algemas não quero. O teu inferno não aceito mais.O sol é meu, o sorriso é meu, o meu coração é meu.

Grito, grito, grito, o universo e este veneno são minhas testemunhas, entenda, não quero mais. Você não é meu dono, você não me possui, pra você não volto jamais. ”

Embebida de lágrimas.Terminei de ler a carta que as reminiscências de meus pensamentos escreveram pra mim.

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Jessica Rosanne
"As palavras são como uma espécie cura é uma mistura de céu , mel e fel .Acredito em seu poder e no universo que nos proporcionam.São como gente e gente miúda, que precisa de cuidado para não matar ou ferir".