Não sei se pela posição da lua, ou seja pelo santo não ter batido, ou pela facilidade da gente ter esperanças nessa tal de temperança futura, ou seja lá por qual motivo for, as coisas que remetem ao astral terreno não estão lá das mais favoráveis para os sonhadores. Confesso que sinto inveja da máscara dos que afirmam terem vencido por se conformar pela não qualidade da vida. Não sei se julgo maturidade, conformismo, ou apertar o foda-se pra tudo, mas essas pessoas aparentam não se abalarem com esses momentos, e sim isso é invejável.

Mas eu sou dos choros. Sou das lágrimas. Das dores sofridas escondidas nas entrelinhas dos meus enredos que volta e meia virão textões. Estilhaço. Sou solidão e sofrimento escancarado. Eu sou o medo escrachado do amanhã dos que gritam a minha volta serem a favor de homens como Temer, Trump, Crivela e Bolsonaro. Eu sou do medo dos que dizem a favor da família, mas não percebem que essa família aí que eles lutam tanto já tá sendo destruída a muito tempo por pensamentos machistas. Destruída por homens que por mal formados se tornam agressores de suas cônjuges e filhos. Filhos que saem das asas do pai sabendo que uma mulher é objeto. Sabendo que bandido bom é bandido morto. Filhos que crescem abusadores. E é essa família que você quer defender!?

Eu sou do medo de ver gente portando arma pra se defender de bandido, porque é mais fácil narrar uma história para ajudar a indústria de armas do que investir numa educação avançada para os marginalizados. Eu sou do medo do meu corpo ser propriedade do estado e em vez de priorizar a minha vida preferem aprisionar-me sob as penas de homens brancos, ricos que batem no peito que sabem o que é melhor para uma pobre mulher negra. Sabiam que as taxas de mulheres negras que morrem tentando realizar um aborto é gritante? Isso não te incomoda!?

Eu sou de #foratemer discursos de ódio que segregam pessoas. Eu sou do medo do amanhã que é tão o instante do agora. Pois, buscamos soluções religiosas e fáceis para o que é trabalhoso. Adiamos colocar a mão na ferida, e tratar a fundo os nossos preconceitos. Porque empatia dói. É bem mais fácil tá aqui conformado com meu mundinho ideal de família tradicional cristã escravagista elitizada brasileira. É mais fácil ver o mundo pela janela das oportunidades que os nossos governantes tiveram na vida, do que calçar o chinelo com prego. Do que olhar pra quem tá no HGP morrendo enquanto o Estado tá sendo roubado.

É bem mais fácil dizer o que é mais certo, quando o errado me convém. Pois, como disse, a empatia é trabalhosa. Empatia é pra quem não se acovarda. E ela só é doada pelos que tem medo e mesmo assim abraçam a dor.

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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