Leia ao som de…

Em frente a penteadeira me culpei tantas vezes pela vida que tive e pelas oportunidades que perdi. Ou, por todas as que deixei passar para ter algo que jamais cheguei sonhei a ter. Descobri no percurso, que o “Universo cuida de nós”. E tudo isso, essa fé baixinha, não divulgada, silenciosa e minha, que desenvolvi pelo caminho da existência, têm sido a minha oração… Até aqui.

Não, não é mérito meu. Pois, o meu mundo fictício e o real são feitos por pessoas. Umas que quero muito ao meu lado. Já outras, eu quero mesmo que se afastem. Será que somos filhos da puta com outras pessoas na mesma proporção que tem gente sendo sacana conosco? Não sei. Taí uma matemática que não quero saber.

Porque eu errei tentando ser uma boa pessoa, sabe? Pequei. Fui crucificada. Julguei. Apontei o dedo. Falei mais do que deveria. Fiz coisas que me arrependo tanto que chega a doer ao lembrar. Outras não. Vivi coisas incríveis. Apaixonantes. E também, muitas coisas que quero esquecer. E outras mil que quero, num “para sempre construído”, lembrar.

Eu poderia dizer que mudei muito e que foi bom passar por tanta dor. E te contar uma história legal sobre resiliência. Te falar sobre a tatuagem que quero fazer, da viagem em mim que faço sempre, e por fora de mim que tanto escondo.

Eu poderia te tecer um roteiro pra fugir da tristeza, ansiedade e depressão. E te dar spoiler pra tu saber de uma vez, que o segredo da tristeza é se aventurar por ela, abrir o peito e sambar nos tempos tempestivos. Mas, não. Tanta coisa que podia fazer e dizer que até cabe um sim, cantarola Anavitória. Mas, não.

Porque eu inventei de sentir e respeitar minha intensidade. E parei de dar nome para os meus erros, assim como parei de amaciar o meu ego nos acertos. Tudo isso desde que te chamei de “Vida” e de fato isso virou a minha. Porque eu não sei dormir e acordar sem respirar a sua ausência. E levantar da cama é tão sinônimo da construção de algum enfeite, para a estante das minhas conquistas, e que me rendem o orgulho teu.

E tudo isso é porque eu preciso sanar a minha abstinência do teu toque, ao tragar todo o anoitecer uma lembrança tua. Porque eu te amo. E isso nem é novidade para meus travesseiros, em que dormem as minhas lágrimas e que ouvem as minhas sinceras insônias.

É, e Tu já sabe. E até duvida. E até acha um charme, Eu usar o Tu, e saber que é sobre Você. E que é só essa fé absurda que eu tenho em Nós, porque é o único pronome que realmente me importo. Pois, virou o meu enredo.

E mesmo cansada da vida, continuo acreditando que em Nós cabe o meu amor tortinho, cheio de ciúmes e gritos. E cabe três vidas inteiras, já que vamos ter um filho de cuca legal. E cabe uma penteadeira, um berço e uma cadeira de balanço. Cabe meus livros. Teus discos. Cabe Nós dois, nessa casinha. Nessa oração em que tu fica. Fica aqui comigo.

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.