Eu já não sei se você ainda sabe que mudei o meu mundo inteiro só para o acompanhar.

É que você sempre deu passos pequenos demais para alguém que possuí pernas longas. Parei.
Você não se encaixava nos meus sonhos. Imagine, então, uma capacidade inata para sonhá-los? Meu caro amigo, convenci o meu coração que a vida tem dessas coisas.

Você me trouxe de melhor essas poucas certezas que temos: o amor maduro, conservado em respeito, fica. Apesar de gerarmos o desamor uma centenas de vezes por causa dos nossos erros infantis.
Falando nisso, da nossa infantilidade, desculpa usar você para ser melhor hoje. Acho que você também me usou. Eu ainda não sabia que era assim que funcionava. Uma dezena de pessoas entram e saem e só fica quem tem jogo de cintura e paciência. E cá entre nós, essas qualidades não estão na nossa lista de prioridades.
Dizem por aí que o meu sorriso brilha mais que antes, alguns poucos rapazes provaram o que agora eu quero ser na cama, e também vejo suas redes sociais delatando um sorriso que gosto de ver emanando em seu rosto. Prefiro assim.

Do lado de cá, todo o meu bem quer-te bem. Do lado de cá, uma sinfonia de pardais cantando a paz de saber que a sua existência não me fere mais. Não toca. Não modifica. A sua literatura não me leva à catarse. O seu chegar não gera um rio. Nem choro, nem gozo. Indiferente. É que nessa longa estradinha, os olhos se abrem em alguma esquina e percebemos que não andamos todos iguais. Cada um para o seu lado. Em paz. Andando em frente e não para trás.

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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