Essa foi uma pergunta feita por Sigmund Freud, intelectual considerado como pai da psicanálise. E uma das respostas a sua pergunta, veio somente 36 anos após a sua morte em 1975, quando a organizações das nações unidas (ONU), estabeleceu que o dia 08 de março fosse uma data que celebraríamos o dia internacional da mulher. Uma data marcada pela luta feminina desde os primórdios registrados pela história.

 A escritora Virginia Woolf, faz uma análise interessante sobre as mulheres em sua obra ‘Um teto todo Seu’, lançado em 1929. Em seu texto ela faz críticas à falta de espaço e liberdade que as mulheres sofreram na história e questiona onde estavam as mulheres antes do século XVIII? Onde estão seus escritos? Virginia traz provocações a respeito de Shakespeare. E se naquela época ele tivesse tido uma irmã dotada da mesma genialidade na escrita? Isso jamais saberemos por que era negado o direito da escrita para uma mulher.

A monja e poeta espanhola Sor Juana Inêz de La Cruz é considerada a única ponte literária entre o novo e velho mundo no século XVII. Assim como também, uma das primeiras feministas da história, já que questionou o direito dos homens em subjugar as mulheres ao utilizarem vários álibis, dentre eles a religião. Por volta de seus 16 anos de idade, Sor Juana enclausurou-se em um convento para lutar pelo direito de ler e escrever. E rejeitando o estado religioso, e repugnar o casamento, ela foi perseguida pela igreja católica e isso contribuiu diretamente para sua morte em 1695.

Na contemporaneidade temos a ativista Paquistanesa Malala Yousafzai, com todo o seu engajamento fez com que ela se tornasse, aos 17 anos, a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da paz em 2014. E por defender o direito das mulheres de frequentar a escola em seu país, Malala sofreu vários atentados de morte.

 

Sendo assim, verificamos com alguns exemplos que a história das mulheres na sociedade é marcada por preconceito e misoginia. Como se fosse um castigo nascer mulher. Embora a muito, a filósofa Simone de Beauvoir, define muito bem em seu livro ‘O segundo sexo’, do ano de 1949, em que diz uma frase celebre: “Não se nasce mulher torna-se”. Portanto, o ser mulher depende de condições impostas pela cultura, sendo que a cultura é pautada por uma ótica masculina, desfavorece a mulher.

Para que tenhamos uma ideia, o ano de 1788 é considerado um marco da luta pelo direito das mulheres para obter uma participação na política, ter empregos e maiores acessos à educação. Já em 1893, a Nova Zelândia tornou-se o primeiro país do mundo a conceder o direito ao voto às mulheres.

Porém, essa conquista do voto para as mulheres só chegou ao Brasil durante o governo de Getúlio Vargas, em 1932. E só foi assegurado pelo código eleitoral provisório, apenas após intensas campanhas no âmbito nacional. Mas era apenas permitido para as mulheres casadas com uma permissão do marido, ou mulheres viúvas e solteiras que tivessem renda própria.

No ano seguinte, em 1933, a escritora e pedagoga, Carlota Pereira de Queiros, foi eleita a primeira mulher deputada federal brasileira. E décadas depois, já em 2010 tivemos a primeira presidenta eleita no Brasil, Dilma Rousseff. Mas aqui, não pretendo fazer análise da gestão do governo de ambas. Mas, vou me ater somente à morosidade em permitir o acesso às mulheres na ocupação dos espaços, principalmente os que são de tomadas de decisões no País.

Um exemplo que abrange a busca por direitos é que até o ano de 1977, as mulheres não tinham o direito de se divorciarem. E era direito legítimo do homem violentarem suas esposas para defenderem sua honra (isso falando no recorte do matrimônio). Hoje temos a lei Maria da Penha, sancionada no Brasil em 2006, embora tenha perdurado por 20 anos para obter o reconhecimento que a violência doméstica é crime.

Enquanto escrevia este texto, uma vereadora eleita no Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi silenciada em 14 de março de 2018. Ao sair de uma reunião foi brutalmente assassinada em uma emboscada e todas as evidências apontam que foi crime político. Marielle verbaliza as demandas dos ‘negros, lésbicas, mães, mulheres’. E sua a voz era denuncia da tragédia cotidiana das minorias em nosso país.

E quando nos lembramos dessas mulheres, nós temos força para lutar pelo futuro das que ainda virão. De certa forma, é o nosso real empoderamento da nossa luta . E para a escritora Grada Kilomba, a situação da mulher negra ainda é mais complicada por ser considerada “o outro do outro”.

O ideal seria que o reconhecimento da mulher ocorresse diariamente. As flores dadas por uma ocasião podem não representar nada. Já que as flores em si, podemos atribuir o símbolo de sangue e dor, sofridas pelas mulheres que já morreram e as que continuam na luta sangrando. Neste ínterim, verificamos que são poucas as conquistas das mulheres no ponto de vista histórico. E as conquistas são resultado da pressão feminina. Em nenhum momento obtivemos um o consenso masculino em rever o seu poder e dominação sobre as mulheres.

No mês de março, reconhecido como “o Mês das Mulheres”, apesar da apropriação comercial, sua representatividade como data é tida como símbolo de uma série de reivindicações, conquistas e muita resistência das mulheres. E talvez, estamos caminhando para uma época em que o reconhecimento humano seja além do gênero.

 Sendo assim, torna-se impossível catalogar o que querem as mulheres, porque primeiramente lutamos pelo direito de ter o direito de desejar. Só queremos o poder de ser o sujeito de sua própria história sem os ditames machistas, sexistas, homofóbicos e patriarcais.

Dessa forma, não podemos nivelar os desejos das mulheres; algumas ainda lutam pelo direito de existir, como é o caso das mulheres negras; outras pelo direito ir e vir, de se vestir de acordo seus conceitos; outras só querem o direito ao próprio corpo. Então, a resposta para essa questão a respeito ‘do que querem as mulheres’, depende muito de qual mulher se refere, e em qual contexto ela está inserida.

 

 

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Jessica Rosanne
"As palavras são como uma espécie cura é uma mistura de céu , mel e fel .Acredito em seu poder e no universo que nos proporcionam.São como gente e gente miúda, que precisa de cuidado para não matar ou ferir".