Debruçou-se preguiçosa,
Entre as vigas da janela
Observando inquieta as proezas da vida
Da cozinha emanava um cheiro de canela
Que despretensiosamente à convida
A espiar o que havia na panela:
Canjica!
Mas a mãe já gritava: ”Atrevida!”
Esgueirou-se para o jardim
Fugitiva com suas asas de Querubim.
No emaranhado das verdes cores
Decidiu em seus nuances imergir
Ali no ofusco dos bastidores
Quis matar, quis afogar, quis ressurgir
Reverter, afogar
 Deixar os seus pudores
Sepultar os seus demônios e emergir
 Livre das amarras no calabouço da mente
 Que se criam erroneamente.
E foi serelepe em direção à praia
Brincando com o vento, a areia e com a água,
Com os olhos magnetizados com tudo que lhe atraia.
Como um rio que no mar deságua Julgando ser feliz, não fugindo da raia.
E sorridente até encher os olhos d’água
Corre para o seio do lar
Sobre tudo aquilo ainda a assimilar.
Assemelhou a vida com o grande mar
Por horas brando e outrora tempestuoso
Mas que em tudo deseja transformar
E converter o coração tumultuoso
E levá-lo há um novo entusiasmar
Um doce momento luxuoso
Que por mais piegas que o fosse
Que ao seu ascender tomaria posse.
Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.