Faz muito tempo que não escrevo para alguém. Sabe, um destinatário certo? Essa forma de escrita, talvez tenha sido a minha fortaleza, me protege e me alivia, e de vez em quando, ou sempre, me perco de preguiça por aqui, nesse emaranhado de alvos não conquistados. Mas abri uma folha em branco, revisitei algumas lembranças e quero te ver nas minhas linhas, mais uma vez. Maybe, just one more time. As pessoas gostam de se ver nas pontas dos dedos das histórias alheias. E foi por isso, que eu fiquei “famosinha” em diversas retinas.

Até na sua. A que preenche os olhos que gostaria de ver e rever, em cada manhã chuvosa de uma roça qualquer. Queria ser capaz de me encaixar nos seus sonhos como alguém já conseguiu. De saber fazer o café ficar como você gosta, e de beber vinho contigo me embriagando só da sua risada gostosa. Gostaria de saber cozinhar pequi sem reclamar do cheiro, pensando em um jantar feito só para te agradar. E no final do dia ficaríamos deitados numa rede qualquer, desejando um céu limpo, apesar do frio, das meias surradas e das tentativas falhas de esquentar os narizes e os pés. Ali abraçados, olharíamos as estrelas no céu como em um ritual e traríamos significado novamente aos beijos na testa.

Mas foi somente um amor de verão, um encontro de almas carentes em férias e apenas um lancinho que se estendeu até o carnaval. Apesar da nossa intensidade, do tesão que vibrava com a sua aparição, das suas inúmeras juras infundadas, das infinitas promessas de guardar o seu amor só para mim como diz o tio Nando Reis, meu bem, você foi um estrondo poético com data e hora exata para acabar. Porque teve toda a empolgação do início, seguidas das derrapagens tentando, com toda a necessidade do mundo, frear o que sentíamos, e também tiveram os interesses pessoais gritantes, junto com uma imersão no egoísmo barato que afeta a maioria dos casais. O nosso amor parou de vibrar quando eu corri rápido para a construção de mim mesma, mais do que para os seus abraços. E isso, de sorte, não foi tão mal.

E eu te vejo daqui sendo um homem maduro, feliz com uma outra pessoa que te faz bem e isso me causa certa tristeza, não sejamos hipócritas. Mas bem pouca, juro . Mas também, me deixa feliz por vê-lo bem. E eu desenho dentro de mim, que isso é o amor que restou em forma de respeito. Um amor que nem sonha em te ver infeliz, reclamando das nossas distâncias quilométricas e dos atos, do tempo, da evolução pessoal e da nossa diferença cultural. Um amor que reza baixinho no peito, num descompasso fixo de entender que está tudo bem não sermos “felizes para sempre”, mas que escrevemos em nossas linhas do tempo uma linda história de amor. História que eu encerro agora, com lágrimas nos olhos, por saber que o melhor de mim eu extraí junto a você e da sua simplicidade. Porém, sei que nunca vamos findar, já que estamos juntos nas minhas linhas. Afinal, dizem que se um escritor se apaixonar por alguém, ele nunca morrerá, não é mesmo? Ditado certo, eu te eternizei por aí, em vidas que eu nem imagino ao certo.

PS: Eu ainda te amo, sinceramente: sua jornalista!

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.