Complicado. Não sei ao certo o que é que acontece. Talvez uma guerra fodida e fria, uma inexplicável desesperança no peito. Dizem que é “coisa de mulher”. E a gente acredita um pouco nessa história inventada.

E culpei a moça do bar. Tadinha. Sob o julgo do machismo sempre é mais fácil culpar uma moça ao lado pela possibilidade de uma traição. Ou melhor, a saia dela, o jeito que ela cumprimenta o nosso parceiro, a roupa que ela veste ou simplesmente por ser simpática. Ela pode até ter culpa no cartório, mas antes mesmo que isso seja comprovado, ela já foi carimbada por nós como a PUTA da vez.

E meio que é inóspito verificar que a gente que grita palavras em favor do feminismo na faculdade e nas redes sociais, estamos encharcados até o pescoço de obras e palavras que fazem questão de evidenciar os nossos outros extremos. E muito mais errados.

Além disso, somada a nossa hipocrisia, tem todas as justificativas que embasamos a nossa maneira de não saber controlar a vida do nosso parceiro. De não poder fazer sobre todas as formas do mundo, que ele não se interesse pela conversa de outra moça, ou que olhe para a sua beleza. Que ele seja fiel ao suposto gostar mais do que os pensamentos naturais inclinados para a sua sexualidade altamente forçada pela sociedade que o molda a ser infiel.

Falo aqui que é “natural” a construção dessas diretrizes das relações, mas que se torna anormal a desconstrução do machismo existente nelas. Um machismo não apenas produzido pelos homens, mas infelizmente altamente reproduzido por nós mulheres. São entrelinhas doloridas que quando expostas são feridas fedidas, que trazem a tona a podridão de clichês que nos são com muletas. Ou, maquiagens que pitam a ruína de nossas vidas sentimentais.

Como diz a música de Marília Mendonça, “a amante nunca vai ter lar e casar”. A culpabilidade feminina aceita presente na canção me faz questionar o quanto assumimos os erros por ações conjuntas, ou apontamos o dedo fazendo de um ato duplo, individual. Compreende que a culpa, se é que há culpa quando se envolve desejo, atração, tesão e coisas normais de humanos, ela não deveria ser julgo apenas da mulher? E mais, se existe o ato em si, deveria ser resolvido e exposto de uma maneira justa, e não partidária no caso crucificado a mulher em praça pública.

E sei que já julguei na vida moças que se envolveram com os meus namorados e tive a oportunidade de pedir desculpas para algumas. Não as culpo por terem desejos aceitos e por terem sucumbido aos chamados que eles fizeram. Na verdade, só penso no quanto quero muito que a gente aprenda que quase sempre o amor tem mais haver com a existência e uma vontade linda de se respeitar o outro. Não carimbo testas hoje com rótulos. São histórias que se traçam sem que saibamos o enredo completo. Não me cabe julgar. Me cabe silenciar e ouvir. Aprender que tem momento que as pessoas são o que são e ponto. Acredito que tanto que as mulheres, como os homens infiéis, e pessoas que optam por isso, precisam de ser ouvidas, precisam sobretudo se encontrar e depois encontrar alguém na vida em que possa ter certeza que ferida alguma vai causar. Isso não é fácil, mas muito possível de ser feito.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here