Às vezes, as pessoas se separam. Em algum momento, em vários deles ou definitivamente. Elas se vão.
Quando a banda RBD foi desfeita, eu sofri como uma verdadeira rebelde sofreria. Demorei aceitar que não iria a um show deles ou que não fosse mais assisti-los em algum programa na TV. Ao aceitar que tinha acabado, eu joguei fora os pôsteres, as revistas e todos os álbuns de figurinhas que eu colecionava. A saia já não me vestia mais e a gravata vermelha da Elite Way parecia desnecessária depois de tudo. Isso não quer dizer que eu esqueci as letras das músicas ou que deixei de assistir os vídeos no YouTube, faço com frequência.

Calypso? Não! Joelma e Chimbinha. Foi uma puta sacanagem o que aconteceu, mas consegui aceitar de forma menos dolorosa. Até porque a Joelma deu a volta por cima em disparada e até lançou uma música bem legal para comprovar a fase. Que saudade de jogar o cabelo como ela fazia em todas as músicas.

Próximo?
Solange e Xand? Aviões do forró! Não tive um apego emocional tão forte, mas senti um terço do que os fãs sentiram, penso eu. Só descobri agora que eles não são casados, isso amenizou as coisas. Não importa de que forma seja, separação é separação e as dores fazem parte do pacote. 

E não menos importante, NÓS. Eu e você. Se eu tivesse superado, não estaria te eternizando em mais um texto. A verdade é que dar adeus as coisas ou as pessoas nunca há de ser fácil, não importa se vai ser por um dia, um mês ou para sempre. Mas nós precisamos viver o luto, por que as pessoas terminam e sobrevivem. Eu passei dias questionando se conseguiria ir aos lugares que você me levou sem sentir as lembranças ou se as músicas das minhas bandas preferidas parariam de fazer tanto sentido.
Agora, por exemplo, ouço “Cuida de mim – O teatro mágico” e me pergunto se alguém um dia irá ter o meu amor e respeito como você teve.

 

Eles decidiram dar um tempo na carreira e prometeram voltar mais poéticos do que agora. Preciso lidar com isso também. Seria a nossa história?
O mais contraditório é que eu sempre torci para que você fosse embora e pudesse ser feliz. Desde a primeira vez que se abriu comigo e me contou da sua infância, nasceu dentro de mim a vontade de te ver realizar seus sonhos e também de te ver descobrir quem você é, ou quem sabe perceber que você é esse que não sabe quem é, e está tudo bem se for assim.
Confesso que apesar de ter jeito para me afastar das pessoas, eu não sei lidar com perdas repentinas. Odeio a sensação de abandono, de falta, de metade.
Eu me despedi da sua presença e treinei um “olá” para sua ausência. Não para sempre, mas se pensarmos como nosso amigo, o para sempre pode ser hoje. 
As coisas estão mudando e as pessoas também.  Além do nosso quintal, há relações que terminam e há outras que começam repentinamente, como a nossa. Você bem sabe que sempre odiei que elas acabassem, não é?
Eu torço, crio apego e até rezo para que as coisas durem para sempre, mas isso não faz parte do mundo ideal. A gente insiste em não aceitar.
Sabe, do fundo do meu coração, eu espero que voltemos a nos encontrar. Em qualquer esquina ou história, sem pretensões e aceitações desnecessárias. Sem ter que traçar um futuro ou sofrer com o passado que ainda nos prende tanto.
Eu estarei aqui quando precisar de um abraço ou de uma amiga que converse muito a ponto de não te deixar falar nada. Estarei aqui quando quiser ver um filme ou simplesmente quando preferir o silêncio. Eu estarei aqui.
Talvez haja palavras que nunca serão ditas, silêncios que nunca serão traduzidos e histórias que serão só histórias. Mas esse não é o nosso caso.
Algumas coisas não acabam quando terminam.

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Hanna Martinelli
"Há duas coisas que você precisa saber sobre mim: Sou colecionadora de sonhos e escrevo sobre tudo. Ás vezes, até sobre o nada."

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