Ela se olha no espelho e se sente muito gostosa.

Dá um beijo em direção ao “nada” e se ajeita no jeito do descompasso de uma alma repleta de coisas que poucas pessoas sabem.

O batom roxo a deixa mais pronta para a noite. Toque final. Blusinha amarela que deixa os ombros soltos, lhe veste. Shortinho preto curto, como um pretexto de mostrar as pernas, que no dia a dia, sempre estão cobertas por calças jeans surradas. Somam-se, uns carões dados apenas para os espelhos. Uma rodadinha pra mostrar-se confiante. Um ajuste na bota que combinou com o visual escolhido. Perfume. Pronta. Ou, quase!

Ela esqueceu a chave e o juízo em casa. Hoje ela decidiu antes de sair de casa. Hoje tem!

E a noite teve! Ela desceu do carro na companhia de dois amigos de longa data. As amigas não estavam disponíveis. Começou optando a ser, simplesmente,  alegria sem beber. Mas os amigos insistem. E ela bebe. Mulher fica solta com vodka, mesmo! E quem não fica?  Um drink aqui, outro ali, e ela quer dançar. As pessoas olham. Ela nem liga. Só ligou os quadris. Mandou áudios no aplicativo do celular bêbada. Dançou. Sorriu. Papeou. Sentiu saudades de casa.

Ela quis dançar com alguém. E chama. A roda da dança cresce. Ela se apresenta. Cativante. Dança. Bebe. Esquece os sonhos antigos. Bebe. Sorri alto. Abraça. Se encanta. É forte. Debochada e divertida. Beija a liberdade. Mais um drink: derrubou. Bêbada, completamente. Vomitou tudo. Saiu do salto. Seguram-na. E levam ela carregada para casa. Param o carro. Ela não esta bem. Cuidam dela. Ressaca na certa.

215450_162257713835185_404710_nE apesar do meu relato, ela não é puta. Ela não está “hoje não valendo nada”. Ela nem pertence a qualquer um que a julgue toda errada. Ela só escolheu viver, além dessas fugas mal resolvidas. Ela escolheu ser uma mulher não namorável. Uma mulher, que tem tanto para viver imersa na boemia, mesmo tendo em si, tanta pureza. Pra ela, cada um tem o seu tempo, as suas escolhas. E o tempo dela é viver … Viver o lance e ao passado diz: “Vamos seguir!”.

As mulheres não namoráveis, são mulheres apaixonantes. Carregam em si, o tal do pertencimento que piram o cabeção. Elas vivem, toda segunda como se fosse sexta. O tempo para elas é curto. Independentes e donas delas mesmas. Mulheres, que respeitam a vida e a si mesmas. Que possuem sentimentos variados e atitudes transparentes. Um mar de vontades escancarado. Sem julgamentos tolos, elas vivem a vida, e deixam as outras pessoas viverem as suas também. Mulheres de personalidades fortes e mentes inquietas. Um aviso: ao chegar perto não apaixone-se!

Não julgue as mulheres por suas roupas ou as suas atitudes tomadas. Cada um sabe da dor e do amor que carrega dentro de si. Cada um tem um tempo para viver o que quiser na vida. E você não é, e nem deve ser juiz sobre isso. Passou da hora de distribuir leveza e beleza por aí certo? E entender que uma mulher, uma pessoa, um ser humano, pode fazer o que quiser de sua vida. Vamos lembrar, que se tivermos coragem de respeitar os momentos, vamos, exatamente, estar respeitando as pessoas. E gerando muito mais amor. Um amorzão de atitude.

2 COMMENTS

  1. An interesting discussion is worth comment. I think that you should write more on this topic, it might not be a taboo subject but generally people are not enough to speak on such topics. To the next. Cheers

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