Achei a caixa das nossas lembranças.

Havia fotos dos nossos passeios, das festas que curtimos com os nossos amigos e, bem no fundo, a primeira carta que me enviou. Lembro como se fosse hoje de quando associei sua caligrafia ao seu sorriso e me pus a chorar de saudade. Lembro também de como foi difícil fingir que não doía te ver partir.

Não que seja ruim lembrar do que já fomos, até porque foi uma época significativa na vida dos dois, só que pensar nisso retoma as discussões e decepções que nos colocaram exatamente aqui, no presente que não há “nós”.

Eu amei você, como jamais havia amado alguém. O calor da sua presença, a paz e o conforto do seu abraço já foram parte da minha saudade, essa que vem como dor durante a noite. Mas apesar desses anos, eu tenho a plena certeza de que a sua partida foi a melhor escolha que você fez por nós dois.

Sabe, você sempre foi a minha melhor companhia, principalmente nas reuniões familiares que você estava incluso. Seu nome já foi dito em tantas dessas reuniões, que já perdi as contas e a capa de proteção contra o choro e a tristeza. A minha família sente sua falta. Eles sempre torceram tanto por nós, o casal que todos olhavam e admiravam, apesar de dizerem que éramos mais amigos que namorados. Eu acho que eles também sentem falta da minha constante presença e teimosia por não querer sentir saudade de você. Acredite, até o meu pai sente sua falta. O que me faz lamentar, por que sentir falta é bem diferente de querer de volta.

Tenha a certeza de que nossas lembranças estão intactas. Elas serão reviradas em outras madrugadas, e sempre serão só nossas. Não quero ter histórias assim com outras pessoas, nem me lembrar de você quando algo extraordinariamente semelhante acontecer. Ainda que isso seja o mais perto que eu cheguei do amor.

Esse amor que você plantou, regou e me deu, ainda existe. Eu sinto saudade e felicidade, por que sei que há outras mil plantações dessa para nascer, talvez em outro tempo e em outro jardim. Eu sei que virão outras caixas, outros passeios, outras festas, outras fotos e outras reuniões familiares sem você, mas hoje isso não é relevante. Hoje somos eu, você e o “nós” que restou.

Por que dentro dessa caixa, eu guardo a certeza de que sempre vou amar você.

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Hanna Martinelli
"Há duas coisas que você precisa saber sobre mim: Sou colecionadora de sonhos e escrevo sobre tudo. Ás vezes, até sobre o nada."