V

Naquele dia já planejava a próxima parte da história de
Cassandra, na verdade ideias e mais ideias ferviam em sua mente.
Cassandra pedia vida e talvez agora ele soubesse o significado da
palavra.
O motivo de tanta felicidade vinha de um pedaço de papel e
algumas letras. A carta havia chegado bem cedo e despertado
sentimentos que ele pensou estarem mortos, mas eles são imortais
e imutáveis.
Era hora de Cassandra conhecer esses sentimentos, hora de
libertá-la pra viver.
“O barulho do trem era aterrorizador pra Cassandra. Ali dentro
havia uma porção de assentos bonitos e ela logo se sentou.
Esperou sozinha e ansiosa que o trem chegasse onde quer que
estivesse indo.”

Leu aquele trecho muitas vezes, ainda não havia pensado
num lugar pra onde aquele trem levasse sua bela personagem.
Sabia que sua história estava chegando ao fim e queria que esse
fosse feliz pra ela.
“Era uma solitária garota num trem rumando ao desconhecido,
movida por uma vontade que nem mesmo sabia o nome. Um dia
viria a se lembrar disso e saberia que era desejo de conhecer a
liberdade, palavra que nem mesmo sabia existir naquele tempo.
Quando o trem parou, Cassandra logo quis descer. Sentia-se
ali dentro tão limitada e solitária quanto em sua casa, mas lá fora o
sol era forte e tudo parecia mais espaçoso, apesar de vazio e
solitário.
O trem havia levado a bela jovem a uma cidade em branco,
literalmente. Tudo era como se feito a traços negros e espaços
brancos. Como desenhos em uma folha de papel. Naquele instante
a sensação de solidão riu de Cassandra e jurou nunca abandoná-la,
mas Cassandra sabia por algum motivo que podia inverter aquela
situação.”
E o autor também sabia. Em breve ele e Cassandra dariam
nós em seus destinos solitários. Mal terminou de escrever o curto
trecho, pôs o caderno sob o braço e saiu de casa, tinha uma última
parte pra escrever, mas não a faria sozinho.

Vinicius Maboni

Written by

Vinicius Maboni

Um sonhador nato, um escritor beta (e preguiçoso). Um ser humano em treinamento.