Crônicas

Como você me vê?

Gosto muito da ideia de que dias melhores virão. Talvez, seja um imã universal que puxa, molda e depois cria forma e vida. Sabe, falar de fé é quase um rascunho de vida. É que já vivi cada situação, que sinto que é impossível não acreditar em um ser Universo arquitetando tudo.

Um exemplo, foi a minha mudança para Palmas, capital do Estado do Tocantins. Me mudei do interior com duas sacolas, cem reais no bolso, um ventilador que quebrou na estrada, o coração em pedaços por deixar a minha mãe. Não tinha nada. Mas, tinha tudo o que mais precisava. Amigos mais chegados do que irmãos, uma fé absurda e o sonho de ser jornalista.

Queria te contar que a minha história tinha tudo para ser uma não história. Que bom que o Universo gosta de desenhar letras diferentes. E te confesso que penso que tudo que me tornei são fruto dos ensinamentos cristãos. E acredite que por um bom tempo eu vivi negando essa condição. E tudo bem! A verdade é que durante os meus 26 primeiros anos, eu não tive muito tempo para refletir sobre tudo isso.

A vida é trem bala, e as vezes ela esmaga tanto o nosso peito. Tudo o que eu mais temia era que minha viela dos sonhos coloridos nunca se realizassem. E cá estou eu. A verdade é que eu podia te dizer que a minha história é de final feliz para uma mocinha da novela da sete, mas não sou dada aos enganos. Quero que me veja e saiba que houve mais dias de choros e angústias, aliadas as tentativas de desistência, do que forças para seguir.

Depois de sair do interior, eu tive que seguir por quatro anos moldando uma vida adulta. É engraçado o quanto passeio pelo meu eu madura e menina. Mas, na escola da vida ainda me vejo passeando pelas ruas de Campos Belos, cidadezinha de Goiás, e ali nas voltas para casa, quando conversava sozinha, avistava aquela casa simplesinha no morro, ansiava que o sol brilhasse para mim.

Eu só queria publicar um livro, ter um filho de cuca legal e morar numa casa no campo. Hoje eu só quero que uma casa que não tenha bichos e com internet, pois moderninha, né? O filho deve ser os sobrinhos, e o livro tá aqui por um fio.

Existe medo, dor e tristeza. Mas há uma esperança eterna que pulsa aqui dentro. Pois, já não tenho a altivez de me achar suficiente. Uma amiga me ensinou que é “necessário deixar que as pessoas me ajudem”. E cá estou… me abrindo para um mundo desconhecido.

Então, fiz uma carta para a minha mulher de 40. Sou futurista, e ansiosa. Mas tenho fé que a vida vai bater e soprar, te fazer chorar e depois sorrir, e ainda assim te dar consciência que podemos ser gratos por tudo.

Caso desejar ouvir…

“Tenho sonhos adolescentes
Mas as costas doem
Sou jovem pra ser velha
E velha pra ser jovem.”

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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