Cartas

Curo a ressaca da tua boca com poesia

Fechei os olhos e senti toda a tempestade. Ela era da cor dos seus olhos castanhos. Sorrio e curo a ressaca da tua boca com poesia. E coloquei uma música com o som baixinho… Ouça aqui comigo, uma lindeza só esse tintilar de sabedoria.

“Deixo você pra quem quiser ser teu
Pra amantes desbotados que não ardem como eu
Deixo tua cama quente pro teu sexo triste
Pra que nunca esqueças
O que de mim restou”

No escuro passeio por tuas tintas em minhas veias. As lembranças saltam feito pipoca em panela quente. E eu deixo. Chega de brincar de amores, chega de fugir das dores. E deixo as luzes do quarto da minha solidão acessas. Eu quero ver meu trio de liberdade na rua. Minha pele preta quer cintilar toda a purpurina que minha alma divertida produz. Você vai ver! Maybe, not. My dear.

Eu sou grata por ter tido a oportunidade de um tempo numa eternidade de um sentimento tão bonito, tão singelo, tão sincero, tão nosso. Sou louca, meio boba, meio peito aberto, meio sem rótulo, e por isso que gritei em um carro de som, ou melhor no trio elétrico, de ter vivido isso tudo, sabe?

Mas, eu tô bem. E muito reflexiva no quanto é gostoso te sentir nas minhas lembranças, e não te ver presente nas minhas entranhas. Eu só acho que o tempo da cura de um sentimento bom que existiu chegou. Finalmente!

A estrada do meu bosque tá iluminada. Ando só e o caminho é bonito, mesmo cheio de coisas feias. Passeio pelos meus sentimentos, os mais egoístas que existem, mas eu creio que agora consigo colocar tudo numa balança repleta de Justiça.

Talvez se você me visitasse, e também o meu universo, poderia ter orgulho do que eu sou agora.

Mas eu só soube disso depois de tudo que você fez comigo. Eu sou uma mulher mais segura e que deseja nunca mais viver todas as coisas que eu vivi, e que principalmente sofri ao teu lado. Às vezes a gente fecha os olhos e acha que aquilo tudo é coisa da nossa cabeça, mas a nossa consciência mostra exatamente todo o tipo de violência que sofremos e cometemos.

Bem lá no fundo a gente sente sempre o que fazem com a gente. O que não é justo, não é sincero e muito menos de verdade. Sabemos que não é honesto tudo isso com alguém que só desejou o tempo todo que as coisas fossem boas e transparentes, e que de maneira alguma desejava que alguém saísse machucado disso tudo. E aí, meu Deus como quisera que não fosse eu.

Talvez um dia eu possa acreditar que aqui dentro você nem vai existir mais. A não ser que como nessa bonitinha lembrança que resolveu bater ponto no coração hoje. A do teu olho castanho que piscava e teu cílio delatava que me amava.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.