Tão bonito quando a gente gosta. E gosta tanto que não precisa medir força nem nada. Nem ficar nessas infantilidades de quem está certo ou errado. Está sendo dois. E ponto. E não um cabo de guerra que só machuca as mãos de quem ainda precisa construir um bonito relacionamento.
E os dois dão o braço a torcer. E evitam brigas. Discussões. E se deixam ser mais sensatos, mais maduros e adultos. Mais amantes. Mais irmãos. E se deixam ser menos “cabeças duras” e mais “corações moles”. E se olham com olhares de ternura. Só para não dizer apenas que se devorariam com os olhos se fosse possível.
Tão bonito é quando a boca se cala. E o silêncio fala tanto. E o corpo grita. E o abraço chega. E o beijo se torna troféu. E o ser que não será nunca alguém ruim ajeita-se no espaço de peito que foi feito exatamente para alojamento de determinada cabeça.
É bonito quando se fica ali mostrando-se tantos defeitos. Apontando os inúmeros pequenos erros. Mas até achando-os bonitinhos. Porque ninguém quer, nem deveria, apaixonar-se por máscaras. Porque bonito é pensar que, sem aquele defeitinho nosso de cada dia, não seríamos tão perceptíveis a outros olhos.
Bonito é quando fica. E fica porque quer. Sem que o outro perceba que se tem até mais do que deveria ter. E que não sai por porta alguma, nem escancara. Porque sabe que está totalmente aberta. E mesmo sem nome dado, endereço fixo permanece. Persiste. Não resiste. Escolhe morar e ser morada. Porque entende que o amor só é. Deixa-se ser. Sem definir. E quanto mais abstrato e subjetivo melhor.

Deixe Sua Opinião Ela é Importante Para Nós

SHARE
Previous articleDe saco cheio
Next articleSentir, verdade e eletricidade
Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.