Crônicas

Deu vontade de voltar no tempo

Sonhei que ele segurava a minha mão com a cara mais lavada do mundo e me chamava de louca e eu dizia que já sabia. Sonhei que na sua dificuldade etílica o amor era real e foi. Sonhei que as pessoas eram felizes. E as pessoas éramos nós.

Sonhei que num quarto escuro e cinza a alegria da sua risada fez morar saudade. A gente era uma dessas canções bonitas. Feito Atriz. Um brinde a bagunça que a gente faz no mundo. Eu disse, meio louca e bêbada.

Por isso leia ao som de:

Não é possível ser esperto, inteligente
E ao mesmo tempo amar
Não vou negar, não vou negar, enfim
As paixões, meu amor, são tontas, são tantas
Chegou a conta, esteja pronta, aquele ponto
Em que tudo muda
Não quero ser o último a chorar

Mas, sussurrei: Sonha comigo, e dança. Só mais uma vez! Quero ser a adolescente mais porra louca do mundo. Sambar na cara da tristeza e te seduzir. Quem sabe ela não se converta em alegria definitivamente. Levanta os braços. Solta a voz. “Tristezaaaaaaaaa por favor vai embora”. Mas, só quem vai embora é você. E, ela fica.

Eu quero ser egoísta e te pedir pra te dar um beijo no olho, na testa, na bochecha. Tu deixa? Deixa eu ser a mulher mais massa que fui. Fui com você. Agora é só você. Só você. Mas não posso fazer isso. Não agora.

Você é a minha centelha de que a vida valeu a pena um dia, e isso é meu e não seu. Contigo tudo era festa apesar da minha dor. Lá vou eu… hoje a festa é na agonia. Queira Deus que você aceite, só por uma noite um desses convites desejados. E, ele aceitou.

E ai, tá com saudade? Senti saudade.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.