Entre rápidas emoticons e rasos comentários nas redes sociais, ou o discurso pronto das grandes mídias vamos acreditando que a sociedade esta cada vez imersa numa marginalidade da qual não tem saída. Publicamos no mundo digital nossos preconceitos, falamos um bocado de coisas que não deveríamos, mencionamos os erros dos outros como se não fôssemos errados também. Apregoamos o ódio nas timelines, como se fossemos juízes do mundo e somente a nossa “verdade”, is true.

Temos a facilidade de encontrar o outro ”online”, mas perdemos a pureza de um arrepio de toque na pele, em um verdadeiro encontro, e não apenas ler e tocar uma tela fria de celular ou derivado tecnológico. Nossas mensagens são compartilhadas na velocidade da luz, mas o som da voz sussurrando no ouvido, poderia ser considerado um artigo de luxo. Estamos aí, aqui, o tempo todo compartilhando “emoticons”, coraçãozinhos nos olhos para tudo, mas escondemos nossas verdadeiras emoções em uma Self com copos de tequila, gritando ao mundo que superamos o fim dos nossos relacionamentos em baladas e derivados. Perdemos o brilho nos olhos. Ganhamos dores nas costas e problemas de vistas. Não vemos mais a carne, apenas curtimos fotos. Perdemos tempo em longos papos cabeças que amanhã já perderão o sabor, e deixamos de ganhar a presença do outro, sem filtro e legenda, sem maquiagem, sem previsão de texto, abreviações, cara-a-cara, beijo-a-beijo. Perdemos a evidência dos poros. As marcas das unhas nas costas. Mandamos fotos sensuais. Nudes. Fazemos até sexo por áudio e até digitamos algum prazer. Deixamos de lado o orgasmo, o gozo do outro, as mãos trêmulas, as pernas bambas e a satisfação no olhar. Perdemos os olhos sobre os olhos. A verdade que se vê em cada feição dada. E o sorriso que insiste em ser, por causa do outro.

n2Mas seria isso de uma total verdade? Como tudo na vida está imerso na contrariedade dos dias que se seguem, existem pessoas que vão na contra mão dos tristes vieses que a internet traz. E sim muita coisa, material e trabalho em prol da bondade e também nos trazer amor aos corações nesse tempo que também é rotulado perdido. Existem vozes que fortalecem o sentimento da humanidade solidária, os namoros e relacionamentos que se iniciam e se solidificam pela vida online, os sites que promovem atitudes de amor, páginas de redes que lutam contra o preconceito e quebram tabus nunca antes discutidos pela sociedade. É inegável vermos vez ou outra casais que se declaram em suas redes, pessoas que se amam mas estão longe por causa da distância, vozes que pedem socorro e o acham, pessoa que precisam de doações e pessoas que se juntam para ajudar.

São inúmeras as formas de demonstração da busca de amor, já que somos feito de uma sociedade diversa. A realidade é que somos a primeira geração a se ver diante da internet e ainda temos que aprender muito a nos comportar e relacionar diante da plataforma. Estamos errando, acertando, buscando ser melhores em tudo na vida e na internet também devemos buscar isso. Buscar além de tudo, sermos boas pessoas, lembrando que quando geramos amor, mesmo que em algumas linhas, colocamos uma emoticon das mais bonitinhas no topo de pessoas que procuram fazer deste mundo melhor.

Que sejamos parte disto! Mesmo que seja na vida virtual. O não virtual agradece.