Os olhos que me olham refletida, são os mesmos de toda uma vida; ainda assim não sei quem me olha, nem quem me reflete. Em algum momento eu perdi a linha que traçava meu eu. A linha do limite que nos desenha, eu não a vejo no espelho.

Nessa noite fria de outubro, insisto me mirar a imagem que, digitando freneticamente, me olha de volta. São incontáveis as vezes em que apago esse titulo, essas palavras. A imagem deve fazer o mesmo. Vejo o reflexo da fumaça do seu café, fazendo a mesma dança simbólica que a fumaça do meu café. Mas não reconheço quase nada nela. Traços cansados, marcas de expressão, cabelos embranquecidos na raiz e no fundo do olhos uma tristeza, um pesar, um ponto escuro que se destaca. 

Eu não reconheço a imagem, mas aquele sentimento, lá no fundo dos olhos, eu sei o que é. Sorrio pra ela envergonhada, ela me sorri de volta esperançosa. Ainda assim, não me vejo nela. Sigo escrevendo concentrada, e e ela também. E quando, já madrugada alta, olho novamente, um frio na espinha me toma de assalto. No espelho já não há nada… Não há imagem, não há nuances, nem mesmo tenho certeza que haja um espelho… 

Deito na cama exausta, e para hoje, apenas uma certeza, você está dentro de si!

São tantas coisas, tantos momentos, são dores e silêncios. Perder-se, esquecer-se faz parte de existir, Mas por hoje, só por hoje, e talvez amanhã, saiba de si e se acolha, amar-se nos tempos de dor, também é revolucionário!

(Para todas as mulheres que não reconhecem de vez em quando)

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Mariah Alcântara
Mariah, escritora, sonhadora e apaixonada pela vida. Escrevo desde os 15 anos, comecei com devoção por poesia e depois crônicas e contos (minha paixão). Faço parte de alguns projetos literários importantes, entre eles a Roda de escritores (que hoje tem outro perfil de trabalho) e Escritores da Era do Compartilhamento. Acredito que o sucesso vem com trabalho, e trabalho com amor gera sucesso.