Ela caminhava entre estranhos. Perdida em pensamentos e em suas próprias ilusões de outra realidade para seu mundo. Um lugar onde amar é simplesmente permitido, onde ser quem você é não é um crime capital.

Sentando no parapeito de um arranha-céu em alguma megalópole ele pensava na vastidão da vida. Em como a solidão às vezes é dolorosa, em como a maldade humana pode ser poderosa. Mas, não deixava de acreditar em como o amor pode vencer todos esses vilões. Pois, para ele, o amor é e sempre será um poderoso herói.  

Pelas ruas, ela caminhava sem direção. Sabendo que em algum lugar as estrelas brilhavam no céu, ofuscadas pelas incandescentes e monótonas luzes da cidade. Tão preocupadas em brilharem mais intensamente e com mais beleza do que as outras que acabavam por ser tornar superficiais, apenas um reflexo sem forma.

Ele pensava em se libertar, mas acabava distraído pela passagem feroz de um avião ou um jato particular que aparecia e desaparecia em um piscar de olhos e fazia-o se lembrar de como o tempo é efêmero, de como o instante é valioso. E assim ele divagava sobre sua própria condição. O que seria mesmo essa tal liberdade? Não, não era o vazio ao qual ele contemplava, e sim um vasto e belo horizonte.

Ela o havia avistado. Ali, sentando naquele parapeito. Seus olhos lacrimejaram e impulsionaram sua mente para o alto. Uma corrida frenética, concreta, uma corrida pela vida, pelo amor destilado a um desconhecido. Uma escalada em nome de um pequeno gesto que pode sim mudar o mundo.

Ele se virou. Ela correu. Paralisado. Inertes. Abraçados. Lágrimas. E, no final das contas, apenas dois seres se encontrando. Duas almas se fundindo e se salvando. Dois irmãos. Dois amigos. Duas pombas brancas que pairam pelos céus azuis com a esperança de dias melhores.

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Ygor Phelipe
Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.