Crônicas

Eu não quero mais

A gente só se sente meio perdido quando não há uma resposta básica e exata para o fim. Há culpados? Há respostas meio desconexas. E a gente coloca uma playlist de término, se dá conta da vida. E meio que acredita que por mais que seja meio doido, mas não é no fim. É só você ouvir essa música baixinho e sentir…


Deixa que amanhã tudo pode estar muito diferente

Não é sobre a toxicidade das relações. É só a falta de interesse batendo ponto em mais uma etapa da vida. Não sou eu a culpada. Nem mesmo ele. Mas fui eu. Foi ele.

A gente não sabe se relacionar. A gente não sabe cuidar do outro. A gente não sabe cuidar de si. Mas eu tô feliz. E te perdoo, me perdoo, mas tenho um novo alvo para culpar.

Eu brinco e pesquiso o que eu sinto e penso. O quê preciso falar… ensaios
que nunca serão postos em atuação no palco. Como se o bom e velho “eu não quero você”, ou “eu não te quero mais” não fosse suficiente para
a gente pegar a malinha de expectativas e o pouco de dignidade que resta e também partir.

Falo de partir com coragem para um futuro que só nós podemos construir. Porque a vida nos convida para ser protagonistas de um enredo cheio de falhas e acertos e que a gente passeie e se agrade de nossas construções.

Obras que independe da ação alheia, mesmo com o contra peso que fica gerando a sensação de injustiça, e a conformidade de inverdades por quem optou pelo caminho de dizer não a covardia.

Mas há um sabor de regozijo no fim, pois é possível gritareu não
quero mais pouco”
. De sonhar com o futuro, dividido com alguém que esteja por inteiro numa relação, não só por sexo, companhia, fuga da solidão que só promove ainda mais solidão.

E é assim que a gente aprende que na vida tem gente que quer muito, porque doa muito. E tem gente que vai, só porque de fato nunca esteve. Nem estará. E cabe a nós reorganizar mais uma mobília fictícia de um relacionamento a dois inexistente.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.