Tem dia que eu estou uma manteiga derretida. E por isso, leia ao som de…

 

Não sei se por causa da carência afetiva que me acompanha desde as minhas mais necessárias e antigas mudanças. Ou, pela minha playlist que toca fazendo com que o Universo me surpreenda aleatoriamente com as coisas somadas que fazem o meu coração aquariano se apequenar. Queria dizer que Ele me mostra todo os dias que é poético entender vieses num momento singular da vida, que tá tudo bem não ser a pessoa mais foda do mundo.

E é claro que gostaria de doar uma solução definitiva para a vida amorosa, mas nunca serei capaz. Eu sou um ser humano com faculdades possíveis de errar e quero confessar que eu não quero esse status, porque precisa se tornar normal beber minha cerveja, xingar e falar de sexo e sobre tudo na vida, assim como se tornou normal falar de amor.

Eu sei que sou a escritora louca que ama e que sonha, e que já coloriu de verdes histórias de amor. É eu também sei que vocês adoram, que os meus dedos finos já encantaram além das tantas pálpebras, que fui me convencendo ser o certo perpetuar as palavras. Mas saibam que os corações de bolha de sabão também estouram do lado de cá. Eu já vi o amor morrer em mim e em outras pessoas. Mas desde muito pequena fui sendo convencendo que a vida continua linda em tons cinzentos. E que fato bonitinho saber do porquê de amar tanto as fotografias em preto e branco.

Eu já quis encerrar essa parada de “texto para casal”, de romantismo barato, essas coisinhas taxadas de amor intelectual que viram todos os olhos de uma geração que tenta amar certo se fazendo de racional. E quando a gente tenta amar… Bingo! A gente erra. E erra muito. É uma coisa que deveria vir impresso nos manuais das relações afetivas: as pessoas podem deixar de querer conviver conosco e o mundo vai continuar trazendo e tirando pessoas da nossa caminhada, porque essa é a vida.

Lembro de uma cena de filme em que uma personagem critica casais mais velhos que demoraram a transar, enquanto o casal de jovens na primeira noite em que se conheceram transaram. A outra personagem presente na cena disse algo que desmontou a crítica: “Aí que tá! A gente não se conhece.” Pensou que era fácil essa paradinha, né? Eu também! Todo dia um processo de reinserção em nosso caos interior e é sofrível encarar de frente o comodismo das relações. Pois, dói saber que apesar da mobília sentimental que as pessoas depositam em nós, na verdade a gente não conhece ninguém, muito menos nós mesmos.

É eu sei que é a nossa cicatriz latente. Uma marca deixada pelas pessoas necessárias que nos ajudaram enfrentar os dias complicados da alma. Era uma oração para lembrar que posso esquecer, mas me convenço que é importante lembrar. Aba, Pai!