Lá estava ele, de costas para mim, mexendo nas cortinas azuis. Meus olhos ainda estavam meio cerrados por conta da luz da manhã, mas, ainda assim, o conseguia ver claramente. Se ele não estivesse de costas, poderia jurar que eu estava vendo os lábios dele se contorcendo em um sorriso. Quando dei por mim, era eu que estava sorrindo. Sorrindo além dos lábios, sorrindo com a alma, sorrindo com todas as partículas do meu corpo.

Eu só queria ficar ali, onde eu estava: Olhando as costas dele nuas na luz da manhã. 


Só queria que esse retrato do tempo se perpetuasse mais do que aqueles breves segundos, só queria ficar mais tempo ouvindo o som descoordenado da minha respiração que se misturava ao sorriso que ainda não consegui interromper dos meus lábios. Só queria mais um breve momento desse deleite que me trazia tanta plenitude. 


Na verdade, eu só queria mais ele, eu só queria mais a mim, só queria mais eu e ele ali, naquele quarto ofuscado pela luz da manhã.

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Beatriz Cabral
Sentimentos manuscritos. Sentir e escrever. 20 anos, Rio de Janeiro - RJ

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