Como o amor nos alcança eu nunca soube ao certo. Eu que sempre gostei de certezas, me vejo adorando a bagunça rotulada de maturidade que eu criei dentro de mim. Nem sobre a paixão, eu sei um pouco. Sempre segui o meu coração e aquilo que achava ser o certo e no tempo certo. Certo para mim e certo para as pessoas.
Já me apaixonei por vários amigos, já tive um amor platônico de cinema, já tive uma história de amor complexa e imperfeita que construiu bastante do que agora sou, já tive romances que viraram folha no vento do esquecimento e amores inesquecíveis que carrego comigo por onde vou e nos textos que eternizo vez ou outra. Eu já gostei de carinhas dentro do ônibus e me apaixonei em menos de uma semana por quem não merecia nem o meu olhar. Já fiz loucuras por amor e já não fiz nada por não saber o que fazer. Ou por muito medo de me foder de novo.
n2Tive o peito carregado de sentimentos tão lindos que floresceram através das distâncias que ocasionalmente a vida vai deixando,mas também, alguém já encheu o meu coração de tamanha escuridão.  Sim eu já chorei sem saber o que fazer porque eu queria continuar numa relação fadada ao fracasso, aliás, já completamente imersa num fracasso fodido. Eu também chorei e me angustiei por não saber como terminar, porque o brilho nos olhos e emoção dos primeiros encontros resolveu se esconder debaixo da cama e não saia de lá nem com reza brava. Eu queria fugir de relações ótimas onde eu era o único problema. Ou, eu era a solução não cabível no momento. Eu queria tanto algumas pessoas “montanhas-russas” causando em mim aquele rebuliço desgraçado, mas que me fizessem sentir o trem mais gostoso da instabilidade do que as pessoas que me vendiam a ideia de tranquilidade e segurança, aquela certeza de união estável, fizesse sol ou chuva, amor com direito a sexo quente ou conchinha obrigatória depois do dia dividido. (Eu disse que eu era o problema?). É, eu disse.
Eu queria sentir. E que sentissem na mesma insanidade que eu. Eu sou louca. Atestei.
Depois de alguns anos as coisas vão mudando tanto. Outras permanecem. Ocultas e não reveladas. O que eu sinto e sei é que todas essas paixonites de um dia, uma semana, um flerte de festa, um papo cabeça que levo para dentro de mim, esses homens que brincam com o direito de saber fazer uma mulher se interessar totalmente por eles, ou aqueles que fazem uma curiosidade ser despertada, estes momentos, que são pessoas, sempre moram em mim. Me deixaram sorrindo por algum instante na vida e só por isso, tudo isso, já são grandiosos na minha história.

Penso, que assim desse meu patamar de “mulher solteira, independente e inteligente”, que me rotulam aqui e ai, como tantas outras pessoas que são rotuladas como sozinhas, o amor nunca está em falta. Da somativa e diminutas dos erros e acertos cometidos, posso retirar toda a certeza, que independente do tempo que estive ao lado daqueles homens, nunca nos faltou felicidade. Sigo na leveza de entender que namora bem, não somente quem ama por necessidade de amar, mas quem é capaz de namorar-se tanto ao ponto de acreditar nos próprios sonhos. Ao próximo amor, digamos: Na minha solidão, você nunca esteve ausente. E a nós mesmos: Posso te namorar? Escute sua resposta, antes de qualquer som emitido por vozes que querem gerar amor.

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

4 COMMENTS

  1. caralho! textão foda! permitir-se viver plenamente todos os sentimentos, sem jamais perder o foco naquele que dá sentido e nos faz rir até dos erros que cometemos: amor próprio.

  2. Acho que te conheço, de algum outro tempo..
    Já ouvi essas palavras, em algum lugar do passado.
    Talvez seja apenas um eco ressonante do vento..
    Ou talvez um reencontro, há muito tempo esperado.

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