É difícil cuidarmos da nossa própria vida, são tantas responsabilidades, trabalho, faculdade, contas para pagar, planos pra fazer, uma vida pra viver, passear, viajar. Só isso já dá um imenso trabalho.

 

Agora imagina tudo isso, tendo ainda um (a) filho (a) pra cuidar, praticamente sozinha (o)? Ser pai solteiro ou mãe solteira, ainda jovem é uma luta tremenda. É tentar fazer tudo aquilo que fazia antes, para no final, abrir mão de grande parte das coisas apenas pelo bem dos filhos.

 

Partindo do pressuposto que ninguém faz filho sozinho, exceto nos casos de doadores de sêmen, onde de fato a mãe não conhece o “pai”, também, ninguém deveria criar um filho sozinho. Qualquer relacionamento baseia-se na divisão de obrigação, casais dividem a felicidade, também têm que dividir momentos difíceis. E ter um filho vai muito além dos momentos difíceis, mesmo assim, existem pais ou mães que jogam fora o direito de viver a vida do filho, apenas por achar que não queria essa situação agora, ou por achar não estar pronto para isso. Alguns acham que pagando alguma quantia em dinheiro é participação suficiente na vida do filho, outros, nem isso fazem. E dentre os que desertam da obrigação de ser pai/mãe, geralmente passaram por uma briga enorme de culpa, um tentando acertar o outro. “Eu falei pra você usar camisinha!”, “Porque você não estava tomando remédio”, “Eu disse pra você não gozar lá dentro!”, como se isso fosse fazer o relógio voltar a tempo de corrigir o indesejado.

 

Quando alguém abre mão do direito e do dever familiar, torna uma situação que já era difícil, ainda mais difícil para o outro que resiste, que jamais pensou em aborto e que viu que se não tinha como mudar a situação, encarou de peito aberto essa nova aventura.

 

É raríssimo ver mães que deixam os filhos de lado, mas é preocupantemente comum ver pais abdicando dos filhos, “lavando a mão” com os pagamentos mensais de um salário mínimo.

 

É por isso que mães solteiras acabam ficando solteiras por mais tempo. Porque os homens têm medo da força dessas mulheres. Uma mulher que enfrenta sozinha o crescimento dos filhos, não se deixa envolver por qualquer homem. Eu não sei exatamente  o porque, mas, se parar pra analisar, o curso natural da vida é que a gente aproveita a vida enquanto é criança até atingir a maioridade, momento em que o mundo começa a pesar nos ombros, praticamente ninguém mais irá se preocupar se você está bem ou mal, se está passando dificuldades ou não, até que se estabilize, consiga comprar suas coisas, fazer viagens, namorar, se envolver, noivar e casar e em seguida ter filhos.

 

Mas, uma pessoa que passou por quase isso tudo, sem chegar na parte do noivar e se casar, antecipando os filhos e está aí, de pé, firme e forte, (rapaaaz), é melhor ter medo mesmo. A força que essa mulher tem você não tem nem na imaginação.

Não estou dizendo que não dá certo se envolver com uma mãe solteira, claro que dá, mas ela espera apenas que você seja homem. Ela não quer que você assuma o filho dela, ela já o fez sozinha muito bem até agora, ela quer um homem com H maiúsculo e represente pra ela, tudo aquilo que ela perdeu na vida, viver o sentimento de verdade, o afeto, o carinho, dividir as responsabilidades da vida, construir um futuro juntos. É isso, ela quer vida. Se você não estiver pronto para isso, melhor não se atrever, pode acabar se machucando.

 

 

Marcelo Taveira – @naduvidasinta

Deixe uma resposta