Cartas

Há mais beleza em mim do quê caos

Eu fico pensando nas minhas letras e músicas…

“Tudo que me importa agora é o que Tua voz me diz
A minha identidade e o valor só encontro em Ti.”

Se você me conhecesse não me acharia louca. Mas saberia que há mais beleza em mim do quê caos.  Coisas que eu nunca, nunca contei baixinho para ti. Porque eu nunca tive chance. meu bem, nunca tivemos chance.

Você nem sabe que eu tenho mania de sonhar acordada nos ônibus. E entre uma parada e outra eu te visito. Eu choro, pois você de alguma forma nos sonhos ainda luta por mim.

A maioria das coisas que a gente conquista nessa vida, não são sozinhas. Mas, pelo contrário tem uma multidão de mãos dadas com a gente antes do pódio, bem ali escondidinhos construindo o seu sonho. E a única coisa que você deseja é que finalmente consiga retribuir tudo.

Eu ando meio perdida com expectativas de um amanhã que pode nem existir. Deus fala o tempo todo para a gente se apegar no hoje, mas é no amanhã que eu insisto em bater na porta. E eu já não sei mais o quê fazer com o hoje.

Num desses devaneios, eu acho que eu tive o papo mais legal de toda a minha vida com a minha irmã. Sei lá! Nem sei quando a gente chegou nesta parte que finalmente se conhece tão profundamente e se aceita, mas eu queria que algum ser (você) me amasse exatamente do jeito que hoje ela me ama.

A verdade é que dói muito ser quem somos. Dói mesmo. E eu confesso que de toda a minha consciência, queria que de uma forma justa eu deixasse de ser essa aquariana egoísta, que por vezes não pensa no outro, ou quase sempre.

Eu sinto tudo meio doido e dolorido. E fico pensando em tudo o quê eu não fui no passado, e me orgulho do que eu sou no presente, apesar de muitos acharem que não sou nada. Dou de ombros e penso “desde quando, eu aquariana, ligo muito para o quê as pessoas falam sobre mim?”. É parece que eu mudei, sabe?  E eu nem percebi.

Queria te dizer que estou tão cansada e te ouvir dizer alguma coisa bonita de mim… e finalmente poder descansar de mim mesma. Talvez, eu só queira dizer que foi necessário perder tudo que eu mais amei nessa vida, para saber que todas as minhas verdades são sempre nulas.

Eu estava esperando que as escolhas fossem mais justas e mais fáceis, mas há tantos questionamentos, há tanto medo em um seio, principalmente do futuro. Bobagem, eu sei! E a minha alma diz o tempo todo que eu não vou ser nada do que eu quero, mas sempre me restará apegar-se em Deus.

Eu sinto uma saudade imensa e nenhum arrependimento. Minhas cicatrizes me fazem. Todas foram a possibilidade de uma existência plena em que aprendo que há coisas que eu vou sonhar e que eu nunca vou realizar. Mas que a cada respiração, existe uma imensa gratidão.

E a cada vez que eu escrevo descubro que existe tempo de identificação. Existe tanta construção. E ao mesmo tempo a gente não consegue enxergar que já não somos mais nada do que éramos antes, mas ainda vamos assistir o quê nós compomos, e com muita claridade.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.