Crônicas

Mãe, a mais bela tatuagem

Não se pode falar de amor sem dizer que o amor nasceu primeiramente em nós por causa de uma mulher fantástica, que escolheu, apesar das situações contrárias, nos gerar e cuidar da gente. Somos incapazes de definir, mas expert em criticar, o excesso de cuidado das pessoas mais fantásticas do mundo.

Ser mãe é abdicar dos sonhos próprios e ser um cultivador e incentivador dos sonhos alheios. Ser mãe é a mais pura realização de uma vida de construções pessoais, que motivam uma engrenagem de boas vibrações para o mundo. Porque ao escolher ser mãe, uma mulher escolhe desenvolver um projeto de uma pessoa que virá deixar muito de si, para muitos outros filhos que deixam de si, para nós.

Sou um sonho de uma rainha, que fez e ainda faz muito do seu sangue vibrar, ferver e circular por minha causa. Minha mãe me ensinou a ser uma mulher trabalhadora e independente, e nesse mesmo tempo em que eu estava construindo uma carreira, minha mãe descobriu que tem uma doença que não tem cura, e ela também se tornou dependente dos filhos para tudo. Ela também está voltando no tempo. Precisando ser carregada para não cair, aprendendo a diminuir o ritmo, aprendendo a ouvir coisas que ela não gostaria de ouvir de um filho. Ela também não tem mais o altar de autoridade dela. Ela está aprendendo a andar na sua velhice. E eu no meu desespero de viver longe dela. E é olhando para ela que não se deixa levar pela sua limitação, ainda querendo fazer de tudo, que eu vi que eu ainda tenho todas as qualidades dela para aprender mas não as negativas de um ser que eu não quero mais ser. E nessa estrada, onde apoiadas uma na outra, eu e mamãe, e as outras pessoas que me ajudam e eu ajudo, estamos aprendendo a andar novamente. Reaprendendo a sermos independentes e tão dependentes do amor uns dos outros.

Quando vou olhando essas lutas, que inclui mulheres fortes, vou entendendo que a tatuagem mais linda  de todas é a que nasce com um filho. Carimbo no pulso de um coração de uma linda mãe.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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