Overdose Poética

MARIA!

Muito prazer, meu nome é  Maria!
A que cai da escada
E amanhece com o olho roxo no outro dia.
 
Não! Eu sou Maria.
A que teve as roupas rasgadas
E foi violentada em plena luz do dia.
 
Mentira! Eu sou Maria
A que sem dó nem piedade
Minha moral e dignidade você ofendia.
 
Aí ai! Eu sou Maria
Que fazia tudo para agrada-lo
Acreditando no que ele sentia.
 
Para! Eu quem sou Maria
Que trabalha na roça
E mói cana todo santo dia.
 
Não mintam! Eu sou Maria
Escrava, mulata sensual
Que na fazenda o sinhôzinho vendia.
 
Chega  de confusão! Eu sou Maria
A que lutou pelos nossos direitos
E que com unhas e dentes lhes defendia.
 
Foi por você Maria agredida
Maria violentada
Maria ofendida
Maria magoada
Maria guerreira
Maria escrava
Que a luta começou
E por você, não pode ser encerrada.
 
Por você Maria objeto
Que nos dias de hoje
É  obrigada  a escutar que:
A roupa era curta
Ela merecia
O batom vermelho
O porte de vadia... que triste!
 
É  por você Maria
Que eu luto todo santo dia!
Karoline Antonia

Escrevo para acalmar a alma.