Crônicas

Millennium: Um manual para feministas e jornalistas

A trilogia  sai dissecando e expondo os problemas enfrentados por sua Suécia fictícia, mas o seu leitor é levado a se deparar com personagens que nos levam a questionar se  “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”, como por exemplo, ao associar problemas enfrentados pela sociedade brasileira, ainda patriarcal e machista, no enfrentamento de crimes contra as mulheres, somando com os altos índices de corrupção nos pólos empresariais e políticos.

millennium-rooney-mara-lisbeth-salander Lisbeth Salander, a heroína da história, não é descrita como uma destas “mocinhas água com açúcar” , eternamente boazinhas e bonitas. Ela possui uma personalidade bastante complexa, descrita como sem a beleza que salte aos olhos, porém dotada de especialidades importantes que descrevem o seu talento, como sendo uma hacker, possuidora de uma memória fotográfica e um passado repleto de violências, que definem muito do por quê do seu caminho de vida, que muitos julgam como errado e solitário.

Muitos, menos para as poucas companhias íntimas dela e, principalmente, para o também, solitário e sedutor, Mikael Blomkvist.  Além de um eterno amigo, um eventual amante e parceiro dela, ele é um jornalista investigativo que se esforça de forma inspiradora, sempre objetivando o correto, tanto nas relações jornalísticas, quanto nas pessoais. Ele tem uma voracidade de salientar a importância da ética, do caráter e do compromisso com a verdade, frisando na efetividade dos fatos, na certeza do real de uma história embasada, sem achismos ou rapidez,  por apenas grandes furos. Para ele, os furos de reportagens são trabalhosas construções de informações verídicas.

batalhaAlém disso, a trama em volta da vida de Lisbeth e Blomkvist, se alinha em forma de cumplicidade e união de vários personagens, ao desejo que as violências sofridas por ela, pelas mulheres da trama, e de todas as mulheres reais sejam, definitivamente, encerradas e punidas.

A trilogia Millenium deixa uma centelha de esperança de que, enquanto o mundo for povoado com pessoas que defendam as suas identidades, e  respeitam as diferenças e comportamentos, as amizades prevalecerão em lealdade. Ela também deixa a certeza, que no mundo em que existam Lisbeth(s) e Mikael(s), existirão um jornalismo qualitativo e uma bonita luta feminista igualitária.

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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