E a pergunta que não quer calar: Até quando pátria amada, mãe gentil, permitiremos que seus filhos sejam soterrados no solo do nosso  Brasil?

Com o discurso de desenvolvimento anualmente são construídas novas usinas hidrelétricas. De fato elas são muito importantes e geram lucros.Mas para quem? Eu não sei.Mas, podemos falar sobre as  toneladas de rejeitos.

Além, da desapropriação cultural e identitária que as comunidades sofrem, elas ainda tem que lidar com a incerteza da segurança das barragens. Pois,chega uma hora que essas barreiras não podem mais suportar. E quem recebe esse mar de lama?

Recentemente tivemos o exemplo do crime ambiental ocorrido em Mariana, e agora em Brumadinho. Quem reparara na vida daquelas pessoas enterradas vivas por um infeliz cobertor de lama?

Brumadinho hoje chora! Pois “não deu tempo”, Pátria Amada, nem de dizer adeus, ou um eu te amo, pelos que foram  rapidamente silenciados ao som de uma sirene e de embrutecidas ondas de lamas.

Aquelas pessoas tinham voz! Não era a hora de partirem. E eram lindos os seus  sonhos, as suas histórias. E Mãe gentil é difícil imaginar o gosto estranho e pesado que não os permitiram mas respirar. Oh Mãe, os projetos dos seus filhos foram abortados e agora seguem o percurso sozinhos.

O que restou de Mariana? O que restou de Brumadinho?

Apenas os soluços, gemidos e as chuvas de lágrimas da dor daqueles que perderam seus entes queridos. E a onda de lama ainda continua para aqueles que estão semi-vivos e indefesos, sem casa, sem seu pedaço de chão. Tendo a plena certeza que todos esses crimes são  consequências do descaso, impunidade e da corrupção.

Oh, Mãe gentil até quando soterrará seus filhos sem se incomodar?! Em Brumadinho “não deu tempo de avisar”, mas as enchentes da impunidade continuam vindo. Ainda é possível muitas vidas salvar.

Lucirene Oliveira

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Lucirene Oliveira

Apenas uma mulher apaixonada pela vida. Presa a família, acredita que não existe o impossível se lutar. Ama teatro, crônicas e poesias.