Mulher SER

Nós por nós mesmas

Sinto em meus dedos uma paixão ao escrever mais uma crônica sobre as casualidades de uma partícula diária. Por isso, lei ao som de:

Prefiro queimar o mapa, traçar de novo a estrada. Ver cores nas cinzas. E a vida reinventar.

E a vida que gosta de surpreender, me proíbe de falar da dor, das lágrimas, de uma ferida que abre e se demora a cicatrizar, das saídas de casa bem arrumada, muito embora que a real sensação é que em meu pescoço esteja fixada um peso de insegurança e pânico. Hoje as letras me convidaram a falar sobre a beleza de dividir a vida com outras mulheres.

Todo dia eu penso: “Engraçada essa vida, né?” Ao sair de casa, toda mulher já enfrentou uma série de circunstâncias e teve que adotar medidas para sobreviver neste mundo caos. Mas no meio do caminho havia uma pedra. Uma não! Várias. Para além das pedras, eu as defino como rochas. Ah, essas mulheres. E eu confesso que sem a maioria das dicas, conselhos, e colo das minhas amigas não seria metade do que me tornei.

A vida é esse trem bala, minhas parceiras! É um lugar em que as pessoas por vezes te usam, caloteiam, machucam. Um lugar que por vezes, você se veste de honestidade, mas sofre tanta retaliação. E é nessa hora que o coração já não tem mais para aonde correr, que sempre tem uma mulher do outro lado da tela, do outro lado da mesa, da cama, do universo te ouvindo pedir socorro.

É sempre uma mulher que abre a sua carteira e te ajuda sem pedir de volta, sem te jogar na cara, sem te massacrar por isso. São elas que te orientam quando o seu chão abre. Eu confesso que quando chego na casa da minha mãe já vou logo desabando, desabafando. Talvez, a sororidade fosse um exercício nato em um tempo em que o capitalismo não nos ensinasse a competição. Você não é culpada! Não é culpada! Não se culpe.

E hoje pela manhã uma senhora me ofereceu o seu lenço no ônibus para que pudesse me sentar. O banco estava molhado e outra moça esperou em pé, enquanto eu o secava. Elas se ausentaram do seu conforto para que eu pudesse ter o meu.

E em uma entrevista que dei para um programa de rádio no qual falei sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher, também disse algo que passei a acreditar piamente: “Acredito que a sociedade já entendeu que somos nós por nós mesmas. Que somos uma geração de mulheres que se abraçam, e cuidam uma das outras”.


E isso é feito em diversidade sem nenhuma necessidade de rotularizar o que somos. Mas um exercício terno de sobrevivência em condições postas cruéis. E aí de mim sem as minhas mulheres.
E você já disse isso para às suas?

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.