Da nossa Alma

O amor dá forças

Eu não estava preparada para aquilo. Mas também não me revoltei contra Deus ou contra minha família. Eu sempre via os anúncios dizendo para fazer o autoexame, mas achei que não fosse acontecer comigo. Deixei para fazer só depois de mais velha. Afinal, eu tinha fé em DEUS, sempre fui à igreja aos domingos, não tratava os outros com indiferença, até ajudava alguns projetos de caridade.

 

Acontece que o câncer não escolhe pessoas. Ele não afeta apenas os ateus, nem os que são egoístas e indiferentes ao próximo. Essa doença não vê classe social, círculo de amizades ou familiar. Ela simplesmente chega. E não, você nunca estará pronta para receber a notícia de que está com uma doença dessas.

 

Mas ao obter a confirmação do médico, meu chão desapareceu completamente. A sensação é como se você fosse descer ladeira abaixo, sem nada nem ninguém para te apoiar.

 

Foi aí que me enganei. Eu não estava sozinha. Nunca estive. Pelo contrário, o esforço das pessoas, em especial dos meus familiares, em me ver bem e me dar forças foi a prova necessária para eu tirar forças de onde nem imaginei que tinha.

 

Toda vez que colocava meus joelhos no chão e começava a conversar com Deus, eu me sentia abraçada. Parecia que eu podia ouvir as orações de todos pela minha saúde.

 

Tinha medo de o meu marido me ver careca. Sei que a base de um relacionamento era o amor, mas ele me achava tão linda, como seria a partir de agora? Mas, eu que sempre fazia cabelo, unha e maquiagem no salão, não queria ter que raspar minha cabeça em um salão, com pessoas desconhecidas. Eu enfrentei o medo e pedi para que meu marido raspasse minha cabeça e pedi à nosso filho para que filmasse. Ele com 7 anos, não entendia tanto o que estava acontecendo. Enquanto meus cabelos eram raspados, ríamos muito. Nossa família estava unida.  Mais unida do que jamais esteve. E no meio disso tudo, meu filho me fez um pedido que acabou ficando gravado nesse vídeo: “Mamãe, por favor, não morra! Te amo muito!”. Aquilo ecoava na minha cabeça todos os dias.

 

Eu fiquei ainda mais forte, aguentava as fortes doses de quimioterapia e radioterapia, sem sentir uma náusea sequer. Eu não estava sozinha.

 

E hoje, aqui de frente ao espelho, meus cabelos crescendo novamente, meu filho correndo pelo jardim enquanto meu marido prepara um churrasco para o nosso almoço de comemoração. É, eu estou viva!

 

Estou livre do câncer. Ainda bem que fiz o autoexame a tempo. A melhor forma de cuidar das pessoas que amamos é cuidar de nós mesmos e hoje eu tenho certeza disso!

Marcelo Taveira

O melhor de você, apenas você pode extrair.

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