Crônicas

O egoísmo aquariano

Maturidade conturbada.

Doce própria e construída: amável solidão! Por que é que não inventaram os contos de fadas assim?

Deitada no colchão surrado, contando estrelas imaginárias em seu universo particular de um teto de gesso branco, sem o azul funil dos sonhos, foi passando um traço naqueles desejos que se tornaram reais. Neutra, constatou que alguns nem eram tão legais assim, como ela havia um dia imaginado.

Se julgou: ela é mesquinha. Possui um pouco de papo bom… bebe um drink, oferece uma boa companhia e um sexo compartilhado sem expectativas. Giram os planetas, e em mais um destes ensaios filosóficos sobre a vida de tantos casais, ela só pensa em seus dois passos atrás. Isso depois de dois orgasmos desperdiçados, dos trapos no chão, da lascívia e despreocupação da gentileza, que insistem em dar lugar aos carinhos e promessas.

Aí ela se emudece. Vira os olhos para o céu, desejando que uma estrela cadente apareça no céu, e que leve todos os seus pensamentos e inquietações sobre ciúmes infundados e desenhos de cobranças. Ela só gosta da sutileza das surpresas.

Deixe ela ser transparente com você! Desde que ela entrou no seu espaço, ela já sabia que não iria permanecer. Ela busca mudar esses contextos, mas foge de qualquer tentativa de dominação. Como fossem pratos, quebram-se os encantos e o tesão. Foi aí, que ela decidiu: “Não nasceu para esse amor que tem necessidade de hora exata, data fixa, para acabar”. Entende

E prefere ver a Via Láctea, do que as paredes das prisões da obrigação e dos pedidos de satisfação. Ela só passeia, estaciona a sua nave por onde deseja estar. E se ela foi embora de você, é que no seu peito já não é depósito do tão dela exagero. Então, uma boa sorte! As estrelas também vivem sós. Ela há de ser feliz também.

 

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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