Tenho uma boa relação com a maioria dos meus ex-namorados e não tenho vergonha alguma disso. Gosto de olhar nos olhos quando falam comigo, sem medo ou remorso por ter feito algo que nos impedisse desta proximidade. Todo mundo, neste planetão de Deus, comete erros. E a maioria desses erros é perdoável. Gosto principalmente de ter evitado falar mal deles por aí, mesmo que eles merecessem MUITO isso. Quem sabe do mal que supostamente eles me fizeram são apenas pessoas maduras que sabiam que estava ali só desabafando as dores e não os crucificando em praça pública ou numa rede social.

A verdade é que as nossas relações nos fazem o tempo todo. E é por isso que não retiro o mérito das pessoas que entraram em minha vida, cumpriram o seu papel e saíram de cena. Uns com vaias da plateia, outros com aplausos e pedidos de bis. Nossos amigos têm sempre aquele “o cara ideal” ou ” a mina de fé ” favoritos e a opinião sempre bem vinda deles. Mas somos nós mesmos que decidimos quem queremos ao nosso lado para não somente dividir as bactérias em um beijo, os lençóis em noites de verão e os cobertores em dias frios, mas os problemas que são existentes dentro e fora de um relacionamento.

O chato fica exatamente quando um não quer mais, ou quando cansamos dos erros dos outros, que juramos um dia amar, quando já não sabemos suportar aquele defeito remediável que o outro não quer tratar, quando o desejo desaparece de casa mas surge feito erupção pelo primeiro par de seios durinhos que aparece pela frente. É quando o papo diário vira clichê e tudo, tudo mesmo, até um dançarino de arrocha fica mais interessante do que a mesma ladainha de sempre. É quando os olhos brilhantes e as palpitações iniciais dão lugar as desconfianças e críticas, jogos e chantagens. Quando já não se tenta resolver os assuntos pendentes e tudo vira crise ou motivo para não se falar, varremos soluções para debaixo do tapete, torcendo para aquilo tudo sumir. Vira frio, chato, monótono. E a maioria de nós decide terminar. E de repente o outro já não é mais tão tudo aquilo que foi um dia?

Nãoooo! Continua sendo. Só não para nós. Ao menos não na mesma intensidade. Não como queremos. Porque. na verdade, nessa vida, ninguém nunca vai suprir as nossas expectativas de relacionamentos perfeitos nem ser um ser imutável. Mas o fato de não passarem nos nossos enfadonhos testes não nos dá o direito de sair por aí sendo juízes a longo prazo dos erros supostamente cometidos. Até porque será que não seria chato, horrível, se decidirem por acaso fazer o mesmo conosco?


Eu quero que meus ex-namorados todos estejam bem e felizes. Porque, antes de tudo, eu os escolhi com o coração. Não deu certo a vida toda, mas deu até quando fizemos dar certo. E só por isso já foi importante. Já acrescentou. Já causou tanta coisa boa que se eles forem felizes o meu coração sorrirá também. Que a vida o ensine que ex bom não é ex morto, mas é aquele que você guarda na memória, na agenda, em um capítulo memorável da vida, na página de orelha dobrada de antigos bons amores e atuais bons amigos.

 

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Natália Rezende
Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.