O Natal está chegando. Tenho certeza que tudo está sendo organizado para celebração de logo mais. As decorações, as comidas, as bebidas, os convites, ah, quase ia me esquecendo, os presentes! Quantos presentes para este natal hein? Não tenho dúvidas de que será um momento maravilhoso, compartilhado com aqueles que você ama.

Mas permita-me falar sobre o Natal mais lindo que já aconteceu nos últimos tempos, e que provavelmente você ainda não ouviu falar. Foi o Natal da Dona Maria. Ele aconteceu no final de outubro. Sim! Não seja tolo, perdoe-me por destruir sua ilusão, mas é muito provável que Jesus não tenha nascido em dezembro, e só pra constar: não existe papai Noel (não se desespere! Quantos anos você tem? 20? 30?). Mas por favor, não vamos nos desviar da história, vamos voltar ao Natal da Dona Maria, ou melhor, vamos voltar um pouco mais tempo para você compreender porque este Natal foi tão especial…

Dona Maria era uma filha apaixonada pelo Sertão. Permita-me o pleonasmo: era Nordestina Guerreira. Nasceu e cresceu em uma das regiões mais castigadas do Brasil. Quando criança, Dona Maria trabalhava no campo, arava aquela terra seca, sedenta por água. Lançava a semente e esperava a chuva. Como uma criança que espera ansiosa por um presente, esperava a chuva cair e o broto se transformar em fartura. Fartura de encher os olhos, de alimentar a alma. Algumas vezes a chuva caia, mas infelizmente, outras não.

Dona Maria conhecia bem a miséria, não essa miséria fútil que você conhece, de abrir a carteira e descobrir que não tem dinheiro para comprar um Iphone novo. Agradeço a Deus por você não sentir a miséria que ela sentiu, de abrir a lata e não ter um grão de feijão. Miséria de sede, de ter que andar quilômetros com uma lata na cabeça em busca de água. Miséria de chorar na escuridão sertaneja e clamar ao Deus do céu por mais um dia de vida. Dona Maria tinha vontade de viver.

Como toda pessoa que quer constituir uma família, dona Maria casou-se. Teve filhos. Os amamentou. Embalou-os em seus braços ao som de cantigas de ninar. Contou histórias. Dona Maria amou, e mesmo sem condições, sonhou com uma vida melhor para os filhos. Só não esperava ela que, a morte prematura do marido, a dureza da vida e o medo de ver os filhos desfalecerem pela fome a obrigassem a entrega-los para famílias com melhores condições de criá-los. Ela fez o melhor que podia: achou mais justo que eles tivessem uma chance de viver. Não a julgue, tenho certeza que eu e  você também faria o mesmo.

Os filhos cresceram, estudaram, foram para outra cidade. Formaram suas próprias famílias. Uniram-se. Olha, a vida não foi fácil para nenhum deles, passaram várias adversidades, mas eles venceram. E é claro, trouxeram Dona Maria para viver com eles.

No final de outubro eles se reuniram em um jantar. E foi nesse jantar que aconteceu o Natal mais lindo de todos os tempos. Não havia arvore, não haviam enfeites, muito menos presentes. A comida era simples, a casa tão pequenininha, mas havia algo essencial que não existe na casa de muitos: havia Deus. Eles se lembraram de que um dia foram separados pelas circunstancias, então eles decidiram refazer o caminho, reconstruir a ponte, restaurar o coração. Eles fizeram o “caminho de volta”.

Dona Maria pediu perdão para os filhos, porque ela sabia que só o perdão é capaz de construir pontes indestrutíveis. Perdão porque a vida foi dura demais. Perdão porque ela não teve a chance de vê-los crescer. Perdão por esse amor incondicional que é capaz de entregar, se necessário for. E entre abraços e lágrimas, revelaram-se o que há de mais importante para fazer um lindo Natal: Amor, União, Verdade, Paz.

Muitas vezes você tem uma casa linda, uma mesa farta, convidados muito bem trajados, mas falta amor. A casa está cheia, mas é como se você estivesse sozinho na multidão, não há união. Aparentemente tudo está perfeito, mas falta verdade no olhar. E quando a noite termina você não consegue dormir, você não sente paz. E é nessa hora que você descobre que é possível esbanjar e ostentar riquezas e se sentir a pessoa mais miserável do mundo, simplesmente porque falta Deus na sua vida.

Sabe, aquele jantar foi o ultimo Natal de Dona Maria. Eu tive o privilégio de vê-la alguns dias após essa reunião, e embora já estivesse cega pela Diabete e com corpo cansado, era possível enxergar paz em seu olhar e descanso em sua alma.

Infelizmente Dona Maria se foi, descansou de todas as mazelas dessa vida, mas você está vivo, você está aqui. Olha, me perdoe por isso, mas é minha obrigação te dizer que o amanhã é muito incerto, pode ser que amanhã você esteja aqui, mas pode ser também que você não esteja. Por isso, esqueça esse lado superficial que o capitalismo impregnou ao Natal. Volte-se para aquilo que é mais importante, um verdadeiro Natal não é feito de presentes e comida, há muito mais para ser vivido no dia de hoje. Hoje eu te convido a fazer o “caminho de volta”, a perdoar, pedir perdão e reconstruir o amor e a união em sua família, hoje eu te convido a voltar-se para Deus, porque ele é a razão do Natal. Ele é a vida, o nosso levantar e o nosso respirar. Faça o “caminho de volta”.

Daqui poucos dias será Natal, na hora da ceia lembre-se: você também pode ter o Natal mais lindo de todos os tempos.

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Mateus Adriano
“Acredito nas palavras, como alguém que acredita em milagres. Elas me salvaram por mais de uma vez, e eu, com coração grato, irei anuncia-las com todo meu amor.”

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