(Para ouvir ao som de Amen de Natalie Taylor)

Eu vejo uma sociedade deturpada. Horas sangrentas e famílias dilaceradas por uma insanidade violenta e selvagem. Eu vejo no jornal que uma mãe pediu ao namorado que matasse o próprio filho e meus olhos preenchem-se de lágrimas de revolta, e clamo por misericórdia a todas as energias positivas que regem este vasto planeta erroneamente denominado Terra.

Deparo-me com uma discussão no trânsito, penso que ela será facilmente resolvida e que haverá um consenso. Horas depois, abro minhas redes sociais e sinto o estômago revirar ao saber da bala que acertou uma mulher que tentava atravessar a faixa de pedestre, retornando da farmácia com os remédios de sua mãe idosa. Faixa de pedestre esta, que fica exatamente no cruzamento onde havia eu presenciado a discussão. E uma bala, vinda de uma arma pertencente a um dos dois homens que discutiam freneticamente por causa de um simples arranhão na lateral de um meio de transporte banal.

Tento ler as notícias, mas tudo o que vejo é o rosto de um jovem que teve um cassetete tentando apagar a convicção em sua mente que nunca poderá ser lobotomizada, uma ideia fixa, um desejo de mudança, de um mundo melhor, de lutar contra a impunidade. Vejo, tempos depois, que apesar do que todos vieram a pensar, esse jovem retornou de uma quase morte para mostrar que a esperança ainda está viva e forte, e que só precisamos ativá-la em nossos corações para lutar pela verdade e em nome da bondade.

Eu ouço os versos: “Oh, pátria amada, idolatrada, salve, salve…” e lembro-me daqueles que perderam as pessoas amadas em nome dessa pátria amada, pátria esta, governada por indivíduos que idolatram apenas uma coisa: dinheiro e poder. Salvem-nos, salvem-nos, destes seres.

Eu deito minha cabeça em meu travesseiro e sonho com o dia em que acordarei, abrirei minha janela e verei o sol da liberdade voltar a brilhar em raios fúlgidos no céu desta pátria, e estarei eu a celebrar entre o povo heroico que neste país ainda há de existir, o penhor da liberdade que conseguimos conquistar com braço forte, ensanguentado, cansado, mas honesto, honroso e vitorioso.

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Ygor Phelipe
Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.

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