– Oi!

Ela é uma dessas meninas -mulheres que para dizer um simples “oi” esconde-se. Encolhe-se dentro de si. Quase esconde a boca. Sorri meio sem jeito e se esconde outra vez.

– Como vai?

A segunda frase é quase sussurrada. Ela é um mix de sensualidade e meiguice que deixa alguns poucos rapazes loucos e desconcertados. A calmaria vem em uma passada de mão nos cabelos. Uma quebradinha de pescoço para o lado e novamente vai surgir aquele sorriso que parece querer provar sempre que alguns idiotas os quais passaram por seus lábios já não têm mais importância. E como seu sorriso passa no vestibular direitinho.

Ela explode em erudição e deixa-me sem ter o que dizer. Ela é a prova viva de que alguns homens também fazem cara de paisagem. Saber calar um homem sem usar um decote talvez seja a sua diversão. Ela até já brincou de vez em quando de ser uma mulher sem inteligência para se pôr no nível de alguns babaquinhas que a vida pôs no seu caminho. E cita Woody Allen quando lhe perguntam o porquê: “a vantagem de ser inteligente é que podemos fingir que somos imbecis enquanto o contrário é completamente impossível.”.

Quase sempre, afunda-se na cama. Abraça o travesseiro e chora. E levanta de pijama e vai até a geladeira, na pontinha dos pés. Olha o relógio verde limão pendurado na parede e quase grita para si: “vai passar!”. E sempre passa.

E a conversa se estica e ela observa, em todo o momento, o celular. Como se desejasse que uma mensagem ou uma ligação se fizesse real no mesmo instante. Ela sorri ao fazer uma analogia boba com sinal de fumaça. E guarda o celular no bolso. Sorri outra vez. Me dá atenção outra vez. Me deixa bobão. E eu penso em como ela pode ser tão tudo isso e não ter percebido que a admiração que sinto por ela caminha sempre de mãos dadas com algo que eu julgo ser o que ela sempre procura.

– Escutou o que disse?

“Estava ocupado tentando não te amar, menina.” Penso.

_ Sim, claro! Devemos sim dar atenção ao reflorestamento e às crianças carentes.

Ela me encanta e me põe de canto!