Crônicas

Paciência

Ouvindo Lenine, as lágrimas descem. Paciência.

Hoje cheguei da faculdade com o mundo nas costas. Talvez, depois de quase 10 bons anos sendo a irredutível fortaleza eu tenha me despedaçado no chão obscuro de mim mesma. E o pior é que, dessa vez, não consegui esconder. Todo mundo viu.
Todo mundo vê os meus olhos, que antes brilhavam, recheados de olheiras. Todo mundo vê a desesperança nos meus ombros pesados, que eram leves.
E eu chorei… com a guitarra preta do Lenine. Chorei a minha raiva pela humilhação de tantas pessoas. Chorei o meu desespero pelo silêncio alheio. Chorei a minha raiva por as coisas darem errado. Chorei o meu ódio pela mentira alheia. Chorei as minhas frustrações. Chorei tanto. A vida é rara. A vida não para. E a lágrima cai mais um pouquinho. E com ela vai surgindo alívio.
E o choro da guitarra vai desenhando notas. E a gente tentando ser maduro. Buscando solução. Tentando lidar com a emoção. Tentando trazer racionalidade a tudo o que você acha que é infantilidade. Não… suspire… finja que isso tudo é normal… o mundo espera de nós… e eu espero do mundo. Maldita esperança. Humanos. Tão humano isso.
E eu olhei para os cabelos loiros do lindo Lenine e não é que esse filho de uma mãe bonita tem razão? Paciência, coração. Paciência, razão. Paciência, professores. Paciência, mundo. Paciência, eu mesma. Paciência, Deus. Paciência, amigos. Paciência, tempo. Paciência… porque eu não sei porra nenhuma ainda. Então, não me cobrem nada. Hoje o meu corpo pediu um pouco mais de alma. E o resto? Paciência!
Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.

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