Crônicas

Para ler quando tudo der errado

Tomar um banho de chuva, reescrever as memórias, abrir minha caixinha de Pandora e me revisitar na vossa letra. Sentir toda a erupção do meu ser. Me ver, chorar, falar que é preciso mudar. Por dentro e por fora. Indo. Desde deixar o cabelo crescer, roer as unhas por agonia e guardar e jogar para fora alguns “guardados”.

Senta aqui e escute mais uma música e perceba que ainda há amor quando não era mais para ter:

“Eu sempre vou estar lá,
Tão assustado quanto você,
Para nos ajudar a sobreviver,
Estar vivo”.

Eu falo de vir aqui e expôr que as vezes é necessário falar baixinho com Deus e lhe entregar toda a dor. Outras vezes, é preciso entender que a gente é cíclico. E talvez isso nem seja algo assim tão novo de ser lido por você. Mas nesse processo aconteceu de assistir uns filmes e algumas músicas e pensar nisso tudo. É o que nos faz findáveis.

E relembrar que a gente é feito, refeito, transmutado para acabar e isso, jamais vai ter fim faz nascer em mim uma comodidade de não mais culpa, mas de aceitação. E enquanto eu passeio de uma cama para outra (você também), já pensou na quantidade de bagagem que está nos acompanhando por ai?

É poético. Portanto, beira a uma singela descontrolada bagunça. Pois, acreditar que o que faz da gente assim tão agoniadamente “maduro” é romantizar que o bonito da vida é justamente aceitá-la.

E eu que sempre fico arrumando as bagunças, agora acredito que términos são sempre coisas mal vistas. Não era pra ser assim. Porque, afinal o fim abre portas para o novo. Como aceitar uma velha oração dessa coisa meio burocrática e estranha de se dar conta que você quer ter alguém que te preencha.

É uma música que não sei dançar com você. E nem com ninguém. E talvez, essa seja a alegria… não há beleza nenhuma em ser só mais um sabichão de tudo.


Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.