Para ouvir ao som de “Same Love” de Mackelemore & Ryab Lewis feat. Mary Lambert

Era uma manhã de domingo. Aves cantarolavam nas árvores e as alamedas estavam cobertas de uma lisa camada de esperança. Os cabelos desgrenhados assolavam-se com o rigor frio do vento, os poucos carros que trafegavam pareciam brilhos, purpurinas que lançavam ondas de ar sobre aquele ser e eriçava cada pelo de seu corpo masculino? Feminino? Tão pouco importa. “Que mania desagradável é essa que o ser humano tem de rotular a tudo e a todos”, pensava.

“Na escuridão somos todos iguais, brancos, negros, gays, heterossexuais, transexuais e outros, massas cinzentas acentuando os paralelos da existência. Entretanto, na luz, são todas estas diferenças que promovem o colorido arco íris que torna o nosso planeta tão belo e singular, refletia”.

Dobrou a esquina da liberdade e encontrou-se com o mar da equidade, onde ondas de oportunidades banhavam a todos, ricos e pobres, grandes e pequenos, crianças e adultos, soldados ou pacifistas.

Sentado na baia de sonhos destruídos, tentando pescar um pouco de esperança para corações desafortunados. Jovem alma, para a qual foram narradas tantas atrocidades, que presenciou tantos suicídios ocasionados pela opressão. Grandes amigos que desistiram de lutar contra intolerância religiosa advinda daqueles que mais os deviam amar, tudo o que eles sempre precisaram foi de um abraço, uma palavra que os encorajasse, embora, agora, tudo se resumia aquele grande oceano vazio repleto de ruínas de sonhos. Oceano, este, que cobria um grande bulevar de sonhos inacabados, incompletos, perdidos. Isto vai e vem nas ondas, e de alguma forma a jovem alma mantinha a fé em seu coração.

Levantou-se, olhou para os céus cinzentos, colocou sua mão em seu coração e sonhou com um lugar do outro lado daquele oceano. Uma terra onde brancos, negros, asiáticos, caucasianos poderiam correr livres, sem opressão, sem preconceitos ou mazelas.

Uma terra onde um homem poderia beijar o outro em um Shopping Center sem ser visto como uma abominação e sim como mais um coração apaixonado. Um pedacinho da imensidão em que  ser feliz sendo quem você é não seria considerado um atentado contra a decência e sim uma mensagem disseminada a todos, sem exceções. Sonhou então, com este lugar, e decidiu lutar por um dia, em que finalmente, levantaria tal universo. Apenas um sonho? Ele não saberia dizer, era apenas mais uma manhã de domingo, isso poderia não significar nada, como também poderia significar o início de toda uma jornada.

SHARE
Previous articleUm brinde ao rouxinol brasileiro, e aos escândalos das mulheres do rádio
Next articleQuero aprender você, sem te prender comigo
Ygor Phelipe
"Certa noite ele teve um sonho. No sonho, aves nadavam, peixes voavam e tudo parecia tão inverossímil que pela primeira vez viu sentido em algo. E assim, nasceu um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma paixão, dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Este é Ygor, pseudônimo Phelipe A., poeta, romancista, apaixonado em palavras e nas viagens que elas nos proporcionam. Por isto, pegue um sonho, abra-o e viva."

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here