Crônicas

Para uma criança crescida

Tornei-me o meu desafio diário parar de reclamar do que a vida fez comigo. E sendo assim, comecei a aprender a respeitar meus limites e fraquezas. Com isso, aprendi a cimentar quem sou e descobri que tá tudo bem nós não sabermos lidar com as pessoas, e as implicações que elas trazem para nossa vida. E isso, desde que a gente mantenha no mínimo o exercício de ter afeto, em especial pelo investimento que o outro teve em nosso viver. Por isso, leia ao som de Ney. Essa música é um espetáculo de Deus na terra.

“Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança.”

Por vezes, eu me silenciei e me deixei reclusa no canto dos meus pensamentos. Conviver com a depressão, assim como passear pelo universo da ansiedade, tem me mostrado que a vida é mais complexa do que parece. E as vezes a gente enche o pulmão de dor mesmo, e depois transpira violência. Por isso , me perdoe se eu já te magoei… eu com certeza estava errada e errante, e você não precisa carregar os pesos dos meus erros. Se liberte!

Eu ando perdoando e me liberando perdão, e já não quero mais tanto desafetos. A minha carcaça anda cansada. Não quero muita gente perto de mim. Mas, também não quero mais carregar sentimentos negativos. Eu me liberto da dor, para viver o que há de melhor nos meus dias.

Não sei lidar com tudo isso que é a vida. E talvez, você também não. E eu só estou uma criança crescida que peca por querer saber o sentido das coisas. As oscilações de humor, ora me fazem a menina mais feliz do mundo, outrora a garota que não quer fazer mais o que ama. Por vezes, me vejo extremamente irritada e grossa. Outras, dócil e gentil. Tudo muda muito rápido, e nem eu consigo acompanhar. Mas, aos pouquinhos vou aceitando e entendendo processos.

Eu hoje só penso em ajudar mais pessoas, e que não mereço , nem por um segundo se quer, ser titulada de algo além do que sou, pois é difícil aceitar que a gente é bom e mau, e que apesar dos defeitos, há gente que gosta da gente.

Ainda bem…

“Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim,
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.”

Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.