Um dia eu escutei a frase dita acima, porém não havia parado para questionar sobre o assunto, nem mesmo refletir que nessa vida em qual posição eu me encontraria.

Contudo, com a maturidade adquirida com o tempo, levando em consideração todos os aprendizados nesse um pouco mais de duas décadas de vida, descobri ser o prego. E hoje ainda mais, hoje eu prefiro ser o prego.

Confesso que não foi fácil tomar essa posição e assumir esse lugar. Tudo teve um princípio. O princípio em que eu liderava as brincadeiras de infância, posteriormente quando sofri bullying no meu ensino fundamental por sempre me fazer presente nas apresentações de dança, teatro, redações e poesia. E além de tudo estava entre as melhores notas da sala de aula. Quando em decorrência disso, os meus próprios professores da época começaram a rejeitar a minha participação nos demais eventos, por pressão de outros alunos.

Quando eu comecei a ter que ir embora chorando, correndo e escoltada pra não ser espancada no lugar que eu nasci e cresci. Quando a minha mãe teve que tomar a decisão de me mudar de escola, e junto com isso, apesar de me tirar da minha zona de conforto, decidiu que não iria mais me ajudar nas tarefas, trabalhos e provas escolares, pois seria necessário me deixar voar, adquirir independência, conhecer outras pessoas e me virar… sozinha, aos 10 anos de idade!

Sozinha não, ela mandou a minha melhor amiga junto comigo pra ser o meu anjo da guarda, e ela permanece até hoje nesse papel, mesmo de longe.

Nessa nova escola, apesar de ainda ser pública, era mais elitizada. Contudo, tudo era novidade, tinha outras pessoas equiparadas ou melhores do que eu, e todo mundo se tratava de maneira igual e eu poderia participar do que eu quisesse. Só que as minhas chances de palco diminuíram, ali, havia outras opções.

Foi ali também a minha transição para a adolescência, onde fiz amigos que não me julgaram, me aceitaram e me acompanham até hoje. Em contrapartida, foi ali também, a segunda vez em que eu vi o mundo me virando as costas, meus melhores amigos acreditando nas conversas de alguém que havia acabado de chegar, duvidando da minha índole e me deixando sozinha no recreio.

Foi ali que eu jurei pra Deus que eu continuaria sendo uma pessoa boa, e esperaria pela resposta dEle. Mais tarde essa resposta veio, a verdade foi escancarada, todo mundo voltou para mim e não me abandonou mais.

Na época da faculdade, a minha mãe me deixou voar ainda mais, me libertou para outra cidade, para novas experiências, e me impôs outras obrigações, que além de independente e acadêmica, a partir de agora eu iria administrar o meu próprio dinheiro (apesar de ser mesada), ter responsabilidade de pagar as minhas contas e ainda ser dona de casa.

Nessa fase, o prego virou uma tachinha, pois fui obrigada a conviver com pessoas bem mais velhas e eu não sabia como lidar com isso. Não havia mais ninguém pra sair correndo no meio da rua comigo, os tênis obrigatoriamente deram espaço aos saltos, solta esse cabelo, tira o boné da cabeça, joga esse “all star” cano alto fora, aqui ninguém usa isso. Sentia-me um “alien”, mas pouco a pouco fui me aproximando daqueles com quem eu mais me identificava e a tachinha foi crescendo. Longe de casa, mas fiz tudo certinho, até completar os 18 anos, não ingeri bebidas alcoólicas, não fui à casa de estranhos, nem aceitei convites de desconhecidos.

Comecei a trabalhar aos 19 anos de idade, crescendo ainda mais, e quando formei aos 21 anos de idade eu já estava prego. Prego, você tem que medir as suas palavras, as pessoas se magoam, prego. No meu primeiro emprego,,depois de formada, aí que eu tinha que ser prego mesmo, me sentir um prego, conviver com pregos e andar como prego.

Fui prego demais, tudo isso me assustou. Nova demais pra tanta responsabilidade. Acho que quero voltar a ser tachinha. Não gosto das pessoas me olhando dessa maneira, julgando o meu vestuário, meu comportamento. É, acho que ser tachinha é mais legal.

Fui diminuindo, diminuindo, até que um dia me olhei no espelho e não me enxerguei, essa não era eu. “Moça, tu nasceste para brilhar, sorrir e encantar”, comecei a repetir para mim, até que “buum”, o prego cresceu tanto, mas tanto, que agora para tudo que fala ou faz, vem um monte de martelo pra tentar o diminuir. Todo dia é uma martelada diferente, mas “Moça, se veste como queiras, sorria para quem queiras, sê quem tu queiras, o mundo necessita de espontaneidade, o mundo precisa da sua liberdade”.

Agradeci a Deus e continuei brilhando!

 

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Morgana Tavares
"Tenho privilégios que não comportam toda a minha gratidão: respiro, ando, abraço, amo, choro, produzo, trabalho, escrevo. E por escrever sou amada. Por gargalhar sou fotografada e vocês escutam de longe minha risada." (Marla de Queiroz)