Notei que meu peso incomoda mais as outras pessoas do que a mim mesma. Da forma que me olham quando chego em uma loja para comprar alguma roupa, está estampado no olhar das atendentes a frase: “será temos alguma peça que te sirva? ”. Isso acontece nos mais variados lugares que frequento, parece-me que irei ser banida do planeta terra, somente porque estou com alguns quilinhos a mais.

Os conselhos que recebo já parecem até uma espécie de mantra me dizendo o tempo todo o que devo fazer para emagrecer: “pare de comer proteínas, carboidratos abandonar os doces, nem passar perto de álcool e uma lista imensa de coisas para eliminar.”

Sabemos que o padrão de beleza é construído socialmente e modifica conforme a história. Embora desde crianças nos é empregado que ser bonita é ser magra, ter pele branca e macia, sem marcas e os cabelos loiros e lisos.  Nas propagandas, comerciais, cinema, tantas informações que nos dizem como nosso corpo deve ser e a valorização exagerada da beleza magra, enquanto a mulher “despadronizada” é uma vítima de uma sociedade doentia que corrompe a nossa liberdade do existir, deixa tão distante de nós o direito de saber dar o valor à beleza e sensualidade que todas carregamos.

É difícil entender que parecer SER e mais importante do que SER. Essa ditadura da magreza ofusca o brilho de nossos dias. Consome as mulheres, tornando-as objetos e exterminando o nosso papel de sujeito. Então, vamos conversar? Ser gorda não é um problema. Nunca foi – nem antigamente, quando as gordinhas eram o “padrão de beleza”, nem hoje. Mulheres gordas namoram, se divertem, estudam, postula cargos importantes, criam cachorros e gatos, casam e têm filhos como todo mundo.

Ainda bem que minha felicidade não depende dos olhares dos outros. Meu bem-estar, o amor próprio, também não depende da opinião alheias, mas sim como me posiciono diante de minha consciência. Acredito que toda mulher, sendo gordinha ou não, deve acordar todos os dias com um belo sorriso e dizer para si mesma que padrão nenhum vai interferir seu jeito de ser.

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Jessica Rosanne
"As palavras são como uma espécie cura é uma mistura de céu , mel e fel .Acredito em seu poder e no universo que nos proporcionam.São como gente e gente miúda, que precisa de cuidado para não matar ou ferir".

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