Perco-me em tudo que eu já não sou mais ou já deixei de ser. Existe essa força estranha, que emana de uma forma evidente do meu interior. Força de alguém que sabe exatamente o que é, mas que em meio a tantas certezas se mostrou tão encantadoramente flexível. Disponível para as mudanças necessárias.
E volta e meia eu volto no tempo, tentando me achar nas antigas fotos, nos antigos textos, nos antigos beijos, nas antigas eternidades. E quase sempre volto dali, da timeline tão solitária.
Solitária de mim. Não me encontro em tantas fotos e nem ao menos nos meus antigos textos. Nem nos gestos e antigos hábitos. Nem nos beijos que mais pareciam doce de leite de colher. Nem nos abraços que me seguraram quando eu quis cair. E cadê todo o mundo que se dizia eterno? Ficaram ali no determinando espaço de tempo que se encaixaram na minha vida. “A gente é feito para acabar e isso não vai ter fim”. Marcelo Jeneci canta genialmente.
  E quanto mais me perco nisso de me construir, mais acredito que a vida vai ensinando a amar mais as pessoas como elas são. A ter uma certa raiva do preconceito que a gente certamente já possuiu um dia. Que vergonha tenho dos meus! Ainda bem que passou. E de tantos eu ainda preciso me livrar? Deixo a existência, mãe educadora, esfregar na minha cara.
 Jamais vou me esquecer de todos os meus rasos duelos do ego e dos meus profundos atos de amor. Dos dias em que não me segurei, e com toda a sensatez do mundo, que julgo ter, fiz aquilo que o meu coração mandou que eu fizesse, mesmo o mundo inteiro dizendo para não fazer.
  Meu coração é topetudo! Sorri dessa gente toda que ainda não entendeu nada de nada sobre essas mazelas e dor geradas pelo ego inflamado da reciprocidade. Ainda não sabem que reciprocidade é construída. Assim como o amor e os sonhos em profundos estágios da realidade. Sorrimos juntos, sentados em bares e baladas, lotados de expectativas e inertes iniciativas. Ficamos ali olhando e vendo o mundo se fazer em coisas que sabemos que não são para nós.
  O meu coração é poema que encanta. Poesia sofrida que ensina. É cafuné em dias de tempestades de agonia. E a dona dele já foi chamada de deusa da sabedoria. De trazer calmaria. Acho que virei expert em deixar estacionada a minha dor para cuidar de alguém que precisa do que eu acho que tenho: Solução!
  Então eu deixo pra segunda para me pôr no devido lugar. Para terça. Para quarta, talvez. Deixa ali. Deita aqui? Vamos conversar? Eu sei me resolver sozinha. Já vocês? Ter alma de psicóloga é do caralho! Você tá ali e de repente tira a dor do outro com as mãos. Com o ouvido. Sei lá! Rs.
  Possuo a saudade baixa e sei amar baixinho também. Me ensinaram por aí que não posso invadir o mundo de ninguém. Então estou me tornando calmaria. E sei ser eletricidade entre quatro paredes também.  Exceto na TPM! Logo aviso. Que é? Ninguém é perfeito. Guardo a minha intensidade, intimidade aos que se jogam no meu enlace de menina-mulher totalmente narcisista.
  Talvez esse texto com jeitinho de desnudar a alma seja só um si perder a mais na minha estrada. Culpa desse coração! Culpa do nada para fazer! Culpa da alma escritora. Culpa do Boyce Avenue tocando One Life, melodiando ” e quando ela se sente como uma mentira, eu vou ser o seu motivo para tentar. Nós só temos uma vida. Uma vida”.
  E fez barulho aqui dentro. Sempre faz! Eu não lido bem com silêncios, mas sei silenciar. Talvez seja mentira. Talvez. E eu não aprendi ainda a não desabafar, nem parar de amar, nem parar de tentar explicar, nem ao menos parar de ser o que sou…
Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.