Não sei ao certo quando comecei a escrever. Também não quero traçar um motivo óbvio. Mas escrevi um livro sobre conversas e amadurecimentos depois de términos e tomei um certo ranço dele. Eu detesto me ler. Coisa da marra aquariana, sabemos.

É que eu já não me vejo nas linhas que desenhei mundo afora. Mas, pela minha doce vaidade quero publicar. Tu acredita no que traçou pra si? Pois bem, eu sim.

Eu tô numa fase gostosa de olhar para mim e me descobrir, me experimentar e ter um orgulho da profissão que escolhi e do que tô me tornando. Para isso, eu tive que apertar o foda-se um bocadinho de vezes e me aceitar, e isso inclui os defeitos também.

Muitas vezes isso me levou a solidão, a largar alguns portos seguros. A deixar que o universo cuidasse mais de mim e que em troca eu cuidasse mais de outras pessoas.

Mas, não! Eu não sou somente um ser admirável. Faço questão de dizer que eu sou mais “demoniozinho” com defeitos tolerados por quem insiste em me amar.

Eu tô mega bem. Quase nos trinta, saca. E até vou ser tia de verdade. E eu queria que a menina que escreveu tudo naquele livro só tivesse a certeza, que aquilo tudo que passou foi exatamente pra tá aqui, com essa sensação de que tudo a trouxe até aqui.

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Sei que talvez ao me ler, você pense que eu me acho. Minha melhor amiga certamente falaria o mesmo. Mas é que de tanto fingir ser a gente acaba sendo um pouco. E eu tô adorando acordar e não pensar mais em ninguém. Somente no que eu vou produzir hoje.

E é isso… como se tivesse sussurrado que seria o melhor, este fim questionado com chorosos porquês, e quando a gente inspira, respira e agradece o ir embora de tantos amores meia-boca. Deus sabe suas exigências e a gente não tem que se encaixar mesmo no jeito torto de ninguém. Nem querer, movido a egoísmo, que o outro caiba na nossa casinha.

E foi assim que me perdoei. Eu tô bem. Pecando todo dia, errando, me descobrindo e tentando. Talvez, não seja como muitos gostariam. Mas sou eu, movida por mim. Sem elogios cuspidos, aplausos e rótulos.

Bonito é se encontrar na vida, alguém disse. Essa é a minha esquina. Sem beijo de novela. E o sinal tá aberto pra mim. Sou jovem. Cheia de história nova pra contar. Viver.

Natália Rezende

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Natália Rezende

Um ser amor. Acredita em contos de fadas e em todos os mundos mágicos do universo das palavras. Das mais certas, mas também possuí incertezas. Um pouco louca. Escreve e sonha.