Da nossa Alma

Que você tenha um amor para se recordar

Adoro clichês românticos. Acredito que me formei como um romântico incorrigível, destes que tem pavor só em pensar em se tornar um realista. Apaixono-me pelas suaves brisas da manhã, sou inspirado pelos lagos das cidadezinhas perdidas no tempo, rodeadas por misteriosas montanhas e cravejadas de campos sem fim.

Recordo-me, aliás, de uma obra de Nicholas Sparks que se idealizou um puro e sensível romance que tive o deleite de assistir: “A walk to remember”, em seu original, e “Um amor para se recordar”, na tradução. Esta obra permite-me a evasão a tais paisagens e exprime um imenso saudosismo em meu coração.

Na primeira vez que assisti “Um amor para se recordar” eu devia ter uns 12 anos de idade. Já nesta época, um apaixonado pela vida e começando a conhecer as primeiras pegadas do amor. Não que eu tenha internalizado “Meu primeiro amor”, que se diga de passagem também é um romance terno e sensível. Longe disto, nesta época eu ainda me apaixonava por brincadeiras ao ar livre e aventuras com os meus poucos, quase raros amigos.

Eu fui uma criança solitária, quase sempre perdida no meu próprio mundo, fanático por criar personagens e histórias em minha mente. E bom, ter uma realidade própria na maioria das vezes afasta as pessoas, principalmente as ditas “normais”.

Voltando ao nosso assunto, sem mais digressões, durante as minhas leituras e apreciações cinematográficas, conheci a produção “Um amor para se recordar”, e me identifiquei logo de cara com a personagem principal, Jamie Sulivan, materializada na pele de Mandy Moore.

E talvez vocês me perguntem o porquê de tal identificação, pois então, logo de cara somos apresentados a uma garota um tanto quanto introspectiva, tímida e com um mistério que a envolve, com poucos amigos e vítima de determinados “pré-conceitos” por parte dos colegas. Ela começa a ser notada quando conhece um jovem popular e com uma vida um tanto quanto conturbada, e logo começa a mudar o destino deste rapaz, tremendamente. Chego a dizer, que o poder de Jamie sobre Landon foi tão grande que o fez recordar-se dela por toda a vida.

Na obra, percebemos um jovem casal lidando com várias questões para ficarem juntos, mas a maior delas com toda certeza é a doença de Jamie (protagonista da história). Logo, sou imerso em um oceano de reflexões. Tudo bem, talvez eu nem de perto vivenciasse uma situação como a de Jamie, mas ao longo da minha vida eu tenho lutado contra vários obstáculos com o potencial de me distanciar da pessoa que amo, e lhes garanto, eu os enfrento até hoje, por acreditar que o amor é a única coisa pela qual se vale a pena lutar.

Mas, o que eu gostaria de dizer correndo totalmente de uma autobiografia, é que esta obra nos ensina sobre o amor em toda a sua pureza e graça. Sentimento tão poderoso, imenso e pelo qual tenho extrema admiração. O amor pode mudar vidas, quebrar mazelas, vencer preconceitos.

Em minha humilde opinião, todo amor, por mais conturbado que seja nunca será esquecido. Ele será sempre lembrado, pode até ser guardado no fundo de nossos corações, mas o amor verdadeiro nunca esvanecesse, ele é como um diamante, que lapidado pelo tempo se torna belo e indestrutível.

No final das contas, nunca se esqueça de uma pequena dica de um romântico incorrigível: você pode se ferir, pode ver seu coração cair em pedaços, mas não tenha medo de amar, porque no final, quando tudo chegar ao fim, uma das mais belas certezas da vida é ter passado por ela e ter certeza de que tivemos um amor para se recordar.

Ygor Phelipe

Um sonhador, um homem de mil faces, de milhares de heterônimos e com uma missão: dar vida aos sonhos por intermédio das palavras. Poeta, romancista e apaixonado por livros, histórias e pelas viagens que elas proporcionam.

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